O RECRUTA ZÉ RAMALHO

Corria o ano de 1968, em plena Ditadura Militar. E eis que chegara o momento, ao completar 18 anos, de me apresentar no 15º Regimento de Infantaria, aqui mesmo em João Pessoa, para servir a Pátria – circunstância que era um verdadeiro terror para os jovens acostumados com a boa vida.
Mesmo torcendo para ser dispensado por algum problema físico ou por excesso de contingente, não teve jeito: transformei-me no recruta Macedo.
Naquele ano, com a chegada àquela unidade do capitão Jacques, afamado instrutor da AMAN – Academia Militar de Agulhas Negras, o comando do Regimento resolveu que todos os recrutas com o 2º grau concluído seriam lotados na 3ª Companhia de Fuzileiros e ali funcionaria o C.F – Curso de Cabo, onde todos estariam automaticamente inscritos independente de vontade.
Para minha surpresa, logo no primeiro dia, encontrei ali, bastante contrariado, José Ramalho, jovem que já conhecia do Bairro de Miramar, pois era vizinho da minha namorada – e hoje esposa – Ana Maria.
O recruta Ramalho, a exemplo de muitos, havia sido convocado para servir e, pior, mesmo contra a vontade foi obrigado a se submeter ao rigoroso curso de cabo, com os seus diários e estafantes exercícios físicos.
O RECRUTA ZÉ RAMALHO (por Pedro Marinho)