Minha jornada de superação se inicia aos três anos de idade, com a morte de meu pai em acidente, quando corria a cavalo, me deixando órfão de pai na primeira infância. A perda paterna aos três anos interrompe os primeiros vínculos de segurança familiar. A dependência exclusiva da minha mãe sobrecarrega o núcleo familiar gerando muitas dificuldades, onde enfrentávamos falta de acesso a saneamento na cidade, alimentação básica e creches institucionais. Eu e meus irmão desde meninos assumimos responsabilidades financeiras informais para ajudar no sustento do lar. A escola surgiu como um refúgio físico e o primeiro espaço de validação social. Convivemos com a escassez material enquanto assistimos ao desenvolvimento de pares mais abastados, mas superamos os percalços com apoio dos professores, especialmente de tia Lourdes, com letramento autodidata para romper o ciclo de dificuldades enfrentadas, com resistência ao aliciamento de redes de criminalidade locais através do foco em metas de longo prazo. Com força de vontade e resiliência, conquistamos estabilidade financeira por meio do mérito acadêmico e da responsabilidade profissional. Espero que meus descendentes não vivenciem o mesmo cenário de privação. Que haja mobilização da sociedade com projetos sociais voltados para o amparo a jovens órfãos, para que possam superar as dificuldades da caminhada, com resiliências, sempre em busca de nossa qualidade de vida e das futuras gerações. Eu acredito.