Meu compadre Vavá da Luz é um desses caras que espantam a morte com cacetadas de humor. Se a gente não se defender da vida, ela nos matará. Defendo a tese de que temos um santo em cada esquina. Resta saber quem se digna a ser uma pessoa humana sem culpa, sem frescura e disposto a enfrentar o espelho todos os dias e rir da própria cara. Esses santos são os que se sobressaem.
Na Senzala de Vavá da Luz cabe todos nós, humanos, simples, cordatos, bem humorados, bêbados e filósofos, tarados e assexuados, loucos e sérios, azedos e animados, bestas e vesgos de idiotice. Enfim, Vavá é um homem que tem um coração universal, acolhedor dos amigos e implacável com os inimigos. Esses, ele traça com sua poesia ferina. Enquanto a turma luta por mais dinheiro e mais poder, Vavá mostra suas bundas sujas e rotas. É assim o humor em geral. Vavá da Luz é um humorista enfraquecedor do poder dos cínicos e vis, como deve se comportar todo palhaço que se leve a sério. (Levar a sério é força de expressão, se me entendem…)
A picareta e falsa bruxa Madame Preciosa tentou, sem sucesso, manter um caso amoroso com Vavá da Luz, prometendo mundos e fundos e, no fim, dando só o que tem. Essa divindade do panteão moderno da picaretagem mística foi quem ensinou Malafalha a meter a mão santa nos bolsos do proletariado abestado, mas, com Vavá da Luz ela se deu mal. Queria porque queria fundar com Vavá uma seita cultuando a vida no Paraíso, todo mundo nu e solto, soltando a franga no pomar primordial, pregando a liberação da mulher e a sociedade do matriarcado, onde ela teria autoridade sobre os homens, que passariam a comer em sua mão e beber em sua buça. Em determinado trecho do catecismo de Preciosa, teria a foto dela com Vavá, os dois despidos de roupa e de vergonha nas fuças, com a legenda: “Eva e Adão.”
— Viadão é o caray! – disse Vavá da Luz, abandonando a megera em sua mata, fundando em seguida uma nova seita islâmica, bundista e trocista, cujo sacerdote será Tião Lucena, prometendo salvar as almas depenadas e encher os copos vazios na grande festa de iniciação na fazenda Senzala.
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Kkkk muito bom..cumpade Fábio falou tudo ..
Falar de Vavá é tratar a irreverência como algo natural. È um ser fantástico, um amigo e um irmão. Transcrevo abaixo a música de Antonio Marcos, sonhos de um palhaço, que creio muito ter muito a ver com ele.
Vejam só
Que história boba
Eu tenho pra contar
Quem é que vai querer
Me acreditar
Eu sou palhaço sem querer…
Vejam só
Que coisa incrível
O meu coração
Todo pintado e nesta solidão
Espero a hora de sonhar…
Ah, o mundo sempre foi
Um circo sem igual
Onde todos representam
Bem ou mal
Onde a farsa de um palhaço
É natural…
Ah, no palco da ilusão
Pintei meu coração
Entreguei, entreguei amor
E sonhos sem saber
Que o palhaço
Pinta o rosto pra viver…
Vejam só e há quem diga
Que o palhaço é
No grande circo apenas o ladrão
Do coração de uma mulher…
Ah, o mundo sempre foi
Um circo sem igual
Onde todos, todos
Representam bem ou mal
Onde a farsa de um palhaço
É natural…
Ah, no palco da ilusão
Pintei meu coração
Entreguei amor e sonho
Sem saber
Que o palhaço pinta o rosto
Pra viver…
E vejam só e há quem diga
Que o palhaço é
No grande circo apenas o ladrão
Do coração de uma mulher…
É isso mesmo. Vavá é tudo isso é muito mais. Tudo que se disser dele é pouco e é verdade.
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