Pular para o conteúdo

Blog do Vavá da Luz

QUEM NÃO TEM DINHEIRO CONTA HISTORIA: Eu, o ministro e o cacimbão (por vavadaluz)

Pedro Marinho e Vava da Luz no começo dos anos 70. Recepção do Hotel tambaú

Decorria os ano de 1969 para 1970, vítima de uma safadeza politica já há época por ter passado em primeiro lugar em um teste para Chefe de Escritório da Cagepa local e políticos inescrupulosos por dinheiro e votos apontaram e admitiram o camaradinha que passou em quarto lugar, parti eu daqui da terrinha com doze contos DOADOS pelo Major Eurides Garcia, rumo à capital paraibana levando na mala além de uma mágoa infinda,  bastante saudades, e uma mulher recém parida do filho primogênito.

Bem, em lá chegando fiquei alojado atrás da casa dos meus sogros (Batuel e Alaide) em um quartinho nos fundos de sua residência que antes da minha morada era um depósito de ferramentas domesticas.

A procura fremente de emprego fui sabedor de que no Hotel Tambaú que iria ser inaugurado em breve, teria vagas.  fui lá, vi e venci.

Arrumei um baita emprego de Mensageiro que não era nada mais nada menos que Carregador de Malas e parti  entubado  numa farda branca de punhos e colarinhos vermelhos o que lembrava muito bem um galo de Campina.

A bem da verdade nunca fui um Perfeccionista , mas tudo que assumo gosto de fazer bem, e como mensageiro fui um ÀS, a ponto de hóspedes esperarem eu voltar de uma empreitada para levar suas malas.

O segredo disso era muita simpatia, muitas mentiras, muitos causos, anedotas e outras coisitas  mais que eu debulhava no percurso inté o apartamento.

De modo tal que as GORJETAS falava no centro e com elas eu amealhava o triplo do salario fixo, como prova disso já era proprietário de um luxuoso Aero Willis e morava na Av Olinda quase em frente ao Hotel. Tambaú.

A vida me sorria, jovem com 21 anos, casado com quem amava, um filho lindo e sadio, um emprego arrasador, e ainda era no tempo da DITAdura e eu não podia ver um pano estendido num arame que já queria partir pra cima, um compulsivo digamos.

Pois muito bem por essa euforia toda , essa dedicação ao trabalho fui que tive minha primeira PROMOÇÃO. S[ó que essa promoção de Mensageiro para Porteiro de Praia acabaria com minhas Gorjetas e foi o que aconteceu, mas mesmo assim lá em baixo na Portaria de Praia, isolado, quem passasse para tomar um banho, pegar uma Toalha, teria que ouvir obrigatoriamente meus causos, minhas Estórias e as vezes INTE minhas Histórias.

E foi o que aconteceu com um cidadão chamado Fernando Nóbrega que de tanto papo viria a pedir junto a administração minha promoção para uma função melhor no que foi atendido de pronto e passei a ser Porteiro Social.

Bem mas vamos ao que interessa, o Senhor Fernando  conversava comigo por horas e horas, era bom e proveitoso conversar com aquela alta experiência mesmo ignorando seu currículo.

E nessa conversa vai, nessa conversa vem, o senhor Fernando resolveu perguntar a minha naturalidade, de pronto e com muito orgulho, estufei o peito de disse : Eu sou do Ingá do Bacamarte, terra que galinha cisca pra frente, cururu mata de coice e lagartixa engole gente.

Com um certa admiração e  surpresa ele me disse : Rapaz! eu já fui advogado lá de um caso onde três sujeitos amarraram um mulher de cabeça pra baixo dentro de um cacimbão para que confessasse o roubo de umas joias,  há época foi um dos grandes escândalos, não me lembro bem, continuou, mas acho que eram três fazendeiros inclusive da mesma familia, você ja ouviu falar nesse caso ? indagou .

Enquanto ele falava se passava na minha cabeça o que responder se dentre os três que ele mencionava, um era meu Pai, outro meu Tio e o terceiro meu primo.

Voltei ao normal quando ele perguntou : Mas nunca ouviu falar mesmo: de que familia você é lá no Ingá ? como é seu nome todo ? no que respondi com precisão que sempre me foi peculiar : Meu nome completo é WALTER MARIO GOIS DA CRUZ.

Ele continuou dizendo: è , a familia CRUZ realmente não tenho registro de lembranças, agora a Familia LUZ…. Já ouviu falar ? no que respondi : Vagamente mas não conheço nenhum de perto.

 

Nota do Editor, Só tempos depois vim a saber que se tratava :

Fernando Carneiro da Cunha Nóbrega (João Pessoa20 de agosto de 1904 — Rio de Janeiro9 de novembro de 1993) foi um advogadojornalista e político brasileiro.[1]

Foi prefeito de João Pessoa de janeiro de 1938 a junho de 1940 e ministro do Trabalho, Indústria e Comércio[2] no governo Juscelino Kubitschek, de 18 de julho de 1958 a 17 de abril de 1960. Foi também ministro da Agricultura,[3] de 6 de abril a 6 de junho de 1960.

Em 7 de junho de 1960 foi nomeado Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, tornando-se Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho em 21 de junho de 1968, cargo que ocupou até 18 de novembro de 1971.

1 comentário em “QUEM NÃO TEM DINHEIRO CONTA HISTORIA: Eu, o ministro e o cacimbão (por vavadaluz)”

Não é possível comentar.