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Blog do Vavá da Luz

Paulo Pires, pai e padre (Damião Ramos Cavalcanti)

          Paulo Pires, pai e padre

          Nascido em Engenheiro Ávidos, logo se mudou para Cajazeiras, onde iniciou seus estudos. Em seguida, a Diocese de Cajazeiras o encaminhou ao Seminário Arquidiocesano da Paraíba, em João Pessoa, onde também iniciei, aos 11 anos. Seus estudos superiores foram em Roma, na Pontifícia Universidade Gregoriana, aonde também fui destinado. Paulo Pires se formou num excelente ensino fundamental, humanista, cristão e filosófico.
          Em conversa com o confrade da APL Milton Marques, sobre esse amigo comum, ele foi feliz: Paulo Pires Braga, na sua mansidão firme, foi para mim, mais do que um chefe e um superior, foi aquilo que eu mais prezo, em todas dimensões, um professor. Também ensinando no trabalho da Reitoria da UFPB, com maestria, o domínio de todos os assuntos burocráticos, e dando prova de nos tratar com respeito e consideração. Diante de tantos papéis, processos, ofícios, pareceres, resoluções e discursos, Milton indagou se o Reitor teria tempo de ler todos aqueles documentos, e ele, como Chefe de Gabinete, respondeu: “Milton, na administração pública, quem lê não assina; quem assina não lê”…
          Foi assim, com eficiência, Chefe de Gabinete dos reitores Lynaldo Cavalcanti, Milton Paiva e Berilo Borba, tendo já exercido docência na Fafi, na Faced, e participado ativamente com José Ferreira Ramos e Manuel Viana da elaboração e estruturação da famosa Reforma Cêntrica da Universidade, ainda vigente na estrutura curricular de todos os cursos da UFPB. Acompanhei seus passos, desde quando me convidou, em 1972, para ser professor colaborador, na então Faced, de onde me transferi para o CCHLA, por concurso público. Desse Centro, saí, em sua companhia, para o Departamento de Pedagogia do CCSA, onde elaboramos o Projeto do Centro de Educação, CE, no qual exerci também a função de Diretor, mas sempre acompanhado pela orientação e amizade de Paulo Pires. Na acima referida conversa, confessei a Milton também dever muito a Paulo Pires, inclusive a como ser Chefe de Gabinete, no reitorado de Jackson Carneiro de Carvalho.
         Depois de cursar Filosofia, na PUG, Paulo não concluiu Teologia, confessando ao Reitor do Pio Brasileiro voltar ao Brasil, “porque tinha o pressentimento de que não seria um bom padre”. Em João Pessoa, dedicou-se ao ensino de Filosofia e outras atividades relativas à educação. Quando conheceu Aline Gomes Guedes Pereira, casou-se com ela em dezembro de 1963, e foi pai de Paulo Cesar Guedes Pereira Pires, Paulo Augusto e Angeline Maria. Paulo Pires sofreu a maior dor em vida: a morte prematura da sua esposa Aline, aos 49 anos.
          Viúvo, dedicou-se ao Movimento Carismático, e muito meditou sobre os desígnios de Deus na sua vida, ao lado da feliz convivência familiar. Depois de muito refletir, expressou a Dom José Maria Pires o desejo de ser padre. O Arcebispo sugeriu que ele voltasse a Roma para concluir seu curso de Teologia, e então estaria mais seguro da sua decisão e o ordenaria. Assim, Paulo assumiu o sinal profético: ser pai e padre, como se num futuro bem próximo, o sacerdócio pudesse ser praticado, por opção, a celibatários e também por padres que se tornariam pais ou por pais que, como Paulo Pires, tornar-se-iam padres. Já ordenado, o padre e pai Paulo emocionou-se, ao presidir o casamento do seu filho Paulo Augusto.
          No velório do Monsenhor José Paulo Pires Braga, na Igreja Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos, onde ele foi apóstolo e pároco, recordei esses fatos que revigoraram sua alma. A vida do apóstolo Paulo é uma boa nova que sempre indulgenciará a Igreja, ligada nos céus, ligada na terra…

 

Damião Ramos Cavalcanti

1 comentário em “Paulo Pires, pai e padre (Damião Ramos Cavalcanti)”

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