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O concerto do Clássico ao Sertão, no conserto do dia bom.

 

O concerto do Clássico ao Sertão, no conserto do dia bom.

 

O maestro, a cantriz e o menino; o clássico, o Sertão e a criança; a superação, a resistência e o galo-de-campina; a melodia, a voz e a esperança no amanhã; as mãos, os cantos e o esplendor; a sinfonia, o aconchego e o luar do Sertão; João Carlos Martins, Elba Ramalho e Heitor.

 

Sabe aqueles dias em que você se depara com a sabotagem humana, reinada da incompetência vil, forjada na pele do cordeiro, imolado na soberba da vida pequena e trajada de escudo e espada, sem a arte de um guerreiro samurai?

 

Eis que essas agruras da vida se deixam passar na nossa frente, de quando em vez, e nos resta a sabedoria refinada nos passos dos tempos, firmeza do propósito bem definido, regado à conduta do bem, como diz o sábio “Alcindor Vilarim”, alicerçado na crença e na fé que lhe completa, para que todo o contexto se torne desprezível, diante da grandeza das horas, que sucedem o bem e a vida.

 

Acompanhado, e de mãos dadas, da minha filha de 12 anos de idade, Ana Beatriz, caminho em passos largos diante do concerto na noite de Campina. A arena lotada acende as luzes da ribalta; ao espetáculo que toca a alma, essa deve estar sempre à disposição do seu eu, para que dialogue e converse, como digo sempre, no papo reto, em direcionamento à conduta da vida.

 

Nos acodes precisos da orquestra, fica compreendido, mais uma vez, a necessidade de estar conectado com o outro, com um objetivo comum sempre.

 

Repetidamente aprendo o caminho do resultado eficiente, no palco e na vida, onde se divide o mesmo campo e arena; os gladiadores devem ser sempre complementos e nunca concorrentes.

 

É tão mais fácil comungar do que sabotar – até na falha do microfone, o resultado sempre será contemplado, para salvar a espetacularização perfeita, onde o erro pode até ser cometido e acolhido, nunca a sabotagem – ainda vem no personagem infantil, talhado em vestes de verdade, o resultado que impressiona e enobrece.

 

Nesses tempos vividos, onde o respeito e a solidariedade foram fundamentos para travessias escuras e sem ar, não resta espaço para contemplação do ódio, revestido do vírus da inveja.

 

Restam a mim e a você poucas horas, pouco tempo, onde contemplar a orquestra, o canto e o encanto de uma criança fazem e lhe remetem ao processo de ressignificação da consciência, em bem e paz.

 

“Não há, ó gente, ó não

Luar como esse do Sertão…”.

 

Corre, Bia, vamos continuar vendo a lua, o ar, o canto, o piano, o coração, nos tempos que me restam, que o crescimento da rosa, a purificação da água…

 

“Ai, quem me dera, que se eu morresse lá na serra

Abraçado a minha terra

E dormindo de uma vez…”.

 

Aos meus dias e aos nossos, quero sempre contemplar o seu e os meus dias, de maneira limpa e clara, pois, quando a lua clarear no seu luar, quero enxergar sempre os seus olhos, na verdade e no amar.

 

Dunga JR

 

De um dia de domingo 23/10/22

1 comentário em “O concerto do Clássico ao Sertão, no conserto do dia bom.”

  1. Ah, a estupidez humana! A inveja no que a gente tem de mais belo, o amor pela vida. E quando falo em amor, falo também nos princípios, no caráter, na honradez, na tão falada empatia. ( que a maioria das pessoas nem sabe o que é, infelizmente!)
    Queria eu acordar em um mundo onde as pessoas soubessem a cuidar da mente o tanto cuidam das futilidades. Que desperdiçassem seu tempo em contribuir para o bem comum e apredessem que juntos somos mais fortes. Dá valor aos verdadeiros sentimentos, dos mais simples aos mais elevados. Aprender a ser gente de verdade, a contemplar a lua e todas as maravilhas que Cristo nos deixou na sua mais profunda forma de amor.
    Que a gente aprenda a evoluir e melhorar como pessoas, sempre! Seus textos sempre me fazem refletir.

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