Na noite do dia 31 de dezembro, enquanto vocês estavam começando as comemorações da chegada do ano novo, eu recebi uma ligação do amigo querido. A Lei seca flagrara suas cervejinhas e estava na Delegacia. Corri para resolver o problema, mas o Delegado tinha 2 outros casos para atender antes do nosso. No primeiro deles, um casal tentava convencer a autoridade a mandar policiais até uma padaria para liberar a ceia que haviam encomendado. É que a tal padaria havia fechado às oito da noite, mas eles só chegaram lá uma hora e meia depois, não encontrando ninguém. Enquanto o Delegado perguntava detalhes, o marido disse à mulher que a culpa era dela, porque demorara demais no salão de beleza. Ela ficou brava e disse que ele deveria ter ido buscar a encomenda enquanto ela se embelezava, mas no mínimo “-Tinha ido atrás de alguma sirigaita”.
Ele engrossou: “- Pelo menos as sirigaitas chegam na hora”. O Delegado colocou os dois em salas separadas para esfriarem a cabeça e chamou o segundo caso, um bêbado preso desde as duas da tarde, recolhido quando perturbava os clientes de um bar, dizendo ser irmão do Juiz Sergio Moro. O problema é que o bêbado, não se sabe como, estava mais bêbado ainda. Disse ao Delegado que havia mentido. Na verdade, ele era o pai do Papa Francisco. Claro que voltou para as grades.
Chegara nossa vez, mas quando o Delegado nos chamou, começou o pipoco dos fogos anunciando a chegada de 2017.
O marido e a mulher, que estavam em salas separadas, correram para o gabinete do Delegado e abraçaram-se chorando. De longe ouvíamos o bêbado cantar a plenos pulmões “- Adeus ano velho, feliz ano novo…”. Naquele momento o Delegado descobriu que seu plantão havia acabado. Resolveu rapidamente a nossa bronca e foi aí que meu amigo teve a grande ideia de convidar todos, desde o casal sem ceia até o Delegado, para sua casa, onde a família havia preparado uma tremenda festa à beira mar (ele mora numa espetacular mansão no Bessa) com direito a show de uma famosa banda e muito champanhe, que começamos a tomar à larga.
Lá pras tantas a banda parou de tocar e ouvi uma voz já conhecida, fazendo um discurso inflamado sobre o futuro do Brasil, garantindo que neste ano de 2017 todos os políticos corruptos serão presos. Ao me aproximar do palco reconheci… o bêbado parente dos famosos, que alguém havia libertado e estava se achando o próprio Temer.
Que Deus ouça os bêbados também.
(Para Edivaldo Leite, que vai ler esta coluna na beira mar do céu).
Att,
Salvo pelo pipoco dos fogos.
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