Entre o que ouvi dos meus pais, disse aos meus filhos e escuto da minha neta MC
Eita, bateu uma reflexão enquanto conversava com um grupo de amigos e familiares sobre aquilo que ouvimos ao longo da vida.
Quando eu era criança, escutava dizer: “O papa-figo está em Boqueirão”, “não coma manga com leite, que faz mal”, “cuidado com a pancada de vento, que dá ramo”, “se estiver com febre, não tome banho”. Diziam que carne de porco, curimatã e carneiro eram “muito carregados” e que tomar café quente e, depois, beber água gelada podia até matar.
Eita! Diante de tudo isso, acrescentei algumas dessas ideias à criação dos meus filhos. Eu dizia: “Venham para dentro, que o sol está quente”, “picolé não pode com a garganta inflamada”, “durmam cedo para acordar cedo”, “não pode misturar abacaxi com leite”. E ainda repetia: “Ande devagar, porque já tive pressa”, “coma de boca fechada”, “não arrote falando”, “não coloque os pés quentes, depois de tirar os sapatos, no chão frio”, “não entre no chuveiro frio com o corpo quente”. Cheguei até a repetir que andar com o carro no ponto morto economizava gasolina.
Hoje, vejo que muita coisa é diferente para minha neta e ela também me ensina: “Pode, vovô, tomar água gelada com a garganta doendo. Manga com leite é suco! Pode, sim, tomar café e depois beber água. Banho com o corpo quente é muito bom. Sair ao vento também. E andar com os pés no chão é uma coisa boa”.
Diante de tudo isso, fica uma grande lição: atravessamos gerações, aprendendo e também revendo o que aprendemos. “Seu jeito certo é o jeito certo”. Na vida, cada tempo tem seus costumes, suas certezas e suas descobertas. Aprenda com tudo, deixe para trás o que não lhe acrescenta e viva a vida. O importante, na vida, é viver.
Carlos M. Dunga Jr.