COCAÍNA: um passaporte para uma viagem sem fim; segunda droga mais consumida no País
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COCAÍNA: um passaporte para uma viagem sem fim; segunda droga mais consumida no País

Cocaína: um passaporte para uma viagem sem fim e o cotidiano de um pai que sonha com a passagem de volta

A cocaína é a segunda droga ilegal mais consumida a seguir à maconha. Tem como nomes de rua: branca, branquinha, coca, gulosa, neve, snow e júlia. 

Todo mundo acha que consegue parar, mas não para. Todo mundo acha que é só uma vez, mas não é. Todo mundo quer sair, mas não consegue. O relato é de um pai de família que conheceu a cocaína em 2006 e desde então foi enfeitiçado pelos seus efeitos, uma ida a um mundo de fantasias e uma ‘viagem’ que já dura seis anos.

O consumo proporciona uma alucinação que se compara a uma pausa do mundo real, livre de problemas e preocupações – uma sensação que se torna uma obsessão, mas que infelizmente fica fora do controle. ‘Jânio’ como se identificou o protagonista dessa história é morador da grande João Pessoa e topou pela primeira vez desabafar sobre essa relação com o ‘pó, que mais parece mágico’.

Hoje enfrentando problemas de convivência familiar, o pai de três filhos pequenos sabe que é um mau exemplo para os seus descendentes e vive em uma luta diária para comprar o passaporte de volta para a realidade.

“Tem horas que acho que esse é o meu carma, morrer nas drogas, mas quando eu estou no meu mundo eu relaxo e se é para morrer, é melhor morrer cheirando do que morrer fedendo”, desabafou, mas logo voltou atrás do que disse e ratificou a vontade de largar o vício.

Mas, Jânio disse que sabe que o percurso entre o falar e o fazer é longo. “Na hora da curtição é tudo muito bom, mas no outro dia sempre dá uma depressão e isso é o mesmo que morrer um pouco”.

Mas engana-se quem pensa que Jânio é desocupado, pelo contrário. Diferente de muitos que entram no vicio por não ter ocupação, o protagonista dessa história é concursado, ganha mensalmente uma quantia razoável, que segundo ele, no início dava para sustentar a casa e ainda sobrava para o lazer e hoje mal dá para manter o vicio.

“Já ganhei muito dinheiro, mas também já gastei muito dinheiro. Já apresentei esse vicio a muita gente e hoje me arrependo de ter levado algumas pessoas para o mau caminho, sei que tenho que me tratar, minha família quer que eu me trate, mas eu não consigo pensar realmente em parar”, lamentou.

UMA PAUSA

Nesses seis anos de vicio, completados em 2012, Jânio lembra que já conseguiu parar. Ficou quase um ano sem ser enfeitiçado pelo pó. “Eu estava disposto a mudar, queria participar da infância dos meus filhos, resgatar minha família, mas fui fraco e fui reaproximado do pó em pleno carnaval. Pensei que eu curtiria o carnaval e depois voltaria a minha pausa, mas foi o contrário, depois do carnaval eu queria mais e mais, voltei a me endividar, deixei de comprar o básico para dentro de casa, voltei a ser cobrado para pagar o que devia e agora mais uma vez quero parar, preciso parar, sei que é necessário, mas não estou conseguindo”, completou.

A INSANIDADE

Jânio garante que nunca chegou a roubar para manter o vicio, mas confessa que já vendeu muito de seus pertences na hora da vontade de consumir. “Nunca roubei, mas confesso que já pensei e graças a Deus me orgulho disso. Prefiro perder tudo o que eu tenho a tirar de quem não tem ou até mesmo de quem tem, posso ser viciado, mas não sou desonesto”, asseverou.

Dias fora de casa, meses longe da família, ausência de participação no crescimento dos filhos. Essas foram uma das muitas consequências ruis que o vicio trouxe. “Sabe quando você tem consciência que está se afastando da família, que está fazendo a coisa errada, que está deixando as pessoas que te amam triste e mesmo assim não consegue fazer nada para mudar, apenas continuar com o vicio, esse sou eu, um homem que quer, mas não consegue, por isso que não acredito que querer é poder, pois quero deixar o vicio, mas sinceramente eu não consigo”, arrematou.

O ANONIMATO

Hipocrisia. Essa foi à justificativa de Jânio para não revelar a verdadeira identidade. Para ele, o acesso às drogas é facilitado no Brasil, o vicio e o consumo é uma realidade ‘mas em uma sociedade como a nossa, cheia de hipócritas, não aceitam uma pessoa com esse vício, o vício de cheirar pó, por isso prefiro não me identificar e apenas relatar um pouco da minha história, não um conto de fadas, mas sim uma história real e sem final feliz, é mais um alerta em forma de desabafo, um pedido de ajuda e ao mesmo tempo uma história como outra qualquer, já que no mundo não só existe eu de viciado, muitos passam pelo que eu passo, alguns conseguem sair, outros apenas fazem a viagem para debaixo da terra e eu por enquanto vou sobrevivendo na minha vida dupla – a real e a da fantasia’.

No mundo dos famosos não faltam exemplos de quem já se afundou nas drogas.

A cantora Elis Régina morreu de overdose de cocaína em 1982.  

Vera Ficher foi afastada de novelas e perdeu a guarda do vício devido a dependência química.  

Nelson Rodrigues teve a cadeira quase encerrada após ser preso com drogas.  

Felipe Camargo ficou fora do ar das novelas após brigas e faltar compromissos devido ao vício.  

Marcelo Antony (ator), foi preso em 2004 comprando drogas.  

Cassia Eller morreu em 2001 por overdose.  

UMA VISÃO PSIQUIÁTRICA

Para o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em entrevista publicada na Revista Veja, uma das dificuldades para lidar com a dependência da droga é que a linha que separa o uso recreativo do mergulho no vício é muito tênue.

“Em geral, a pessoa vai se tornando viciada sem se dar conta”, diz o especialista.

Segundo ele, são poucos os que conseguem se manter como usuários ocasionais da droga. “Isso até acontece, mas a proporção é ínfima”, diz Laranjeira. Raramente alguém admite que tem problemas nessa área e busca tratamento. E mesmo esse caminho é difícil. Em geral, apenas 20% dos pacientes que começam o tratamento dão continuidade a ele.

O script, nesses casos, costuma ser o seguinte: uma ou duas semanas depois de iniciado o tratamento, a pessoa se sente autoconfiante e tende a retomar a convivência com as mesmas pessoas e a freqüentar os mesmos lugares. O resultado é que acaba voltando a cheirar, a fumar ou a picar-se.

 

A ORIGEM – DA FOLHA DE COCA AO PÓ

Uma  substância natural extraída das folhas do arbusto chamado COCA ou EPADU, este último nome dado pelos índios brasileiros. Nome científico – Erythroxylon Coca. O Arbusto COCA é originário da Região Andina e é cultivado exclusivamente nos países da América do Sul, tais como PERU, BOLÍVIA, COLOMBIA E EQUADOR.

A folha de coca é mascada desde os tempos mais antigos, até os tempos atuais pelos índios do Peru e Bolívia com a finalidade religiosa e ritualística e também para diminuir a fome, a sede, o cansaço e para não sentir dor e nem frio.

Inicialmente a cocaína era empregada como anestésico local e analgésico. (cirurgia de olho, ouvido e garganta). Hoje, não tem mais uso terapêutico. Foi substituída por outros anestésicos. (xilocaína, lidocaína, etc).

Como a planta da coca é transformada em pó branco?

Para chegar a pasta base, que é um produto grosseiro resultante das folhas da coca, são utilizados vários produtos químicos tóxicos, tais como: cimento, uréia, gasolina, querosene, soda cáustica. Para chegar no pó branco da cocaína, ele mistura essa pasta base com mais onze produtos químicos, que são controlados pela Polícia Federal.

Para conseguir setecentos gramas de cocaína, precisa de uma tonelada de folhas de coca.

Quais são os tipos de misturas?

Quando o traficante chega na cocaína pronta para o consumo, como ele quer apenas ganhar dinheiro, ele “batiza” esse pó, misturando com o mesmo, talco, sal, amido de milho, aspirina, pó de gesso, pó de mármore, pó de giz e diversos outros produtos; até vidro de lâmpadas fluorescentes são utilizados para aumentar ainda mais o seu lucro, e com isso, ela será comercializada nas ruas das cidades afora, com um elevado grau de impureza.

A lâmpada Fluorescente quando quebrada, se transforma em um pó branco, que é misturado na cocaína para aumentar a sua quantidade, pois o traficante só quer ganhar dinheiro, ele não se preocupa com o viciado, ele só se preocupa em ganhar cada vez mais.

Quem aspira/inala cocaína sente uma queima nas estruturas internas do nariz, causando uma certa dormência, podendo sair sangue pelo nariz ou pela boca. O vidro pisado, dessa forma, faz o mesmo efeito, pois ele vai cortando as vias respiratórias, causando uma certa dormência, podendo sair sangue pelo nariz ou pela boca, ou seja, causando o mesmo efeito inicial, enganando assim o usuário.

Quando o usuário utiliza a cocaína ele estará utilizando-a juntamente com cimento, uréia, gasolina, soda cáustica, acetona, clorofórmio, ácido clorídrico, ácido sulfúrico, anídrico acético, cloreto de metileno, éter etílico ou sulfúrico, metil etil cetona, permanganato de patássio, sulfato de sódio, tolueno e ainda todos os produtos que forem utilizados para batiza-la.  

 

Márcia Dias

PB Agora