CHICO PINTO : O fim dos profanadores da republica
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Até que enfim surge uma esperança no fim do túnel. A condenação pelo Supremo Tribunal Federal, do ex-presidente da Câmara dos Deputados, o petista João Paulo Cunha, pelo seu envolvimento no famigerado mensalão, provoca um alento diante da opinião pública que, esperançosa, vê neste gesto do judiciário, um ponto positivo para a quebra da impunidade no Brasil.

A frase proferida pelo ministro Celso de Melo, durante o seu voto, tem um grande sentido na medida em que ele afirma que “agentes públicos que se deixam corromper são corruptos. Profanadores da República. Deliquentes da ética do poder”. Se não for apenas mais uma frase de efeito, de caráter momentâneo, a assertiva do decano do Supremo ressoará firme naquela Côrte e, poderá, daqui pra frente, servir de parâmetro diante dos próximos julgamentos que envolvam corruptos poderosos.

É evidente que as leis servem para orientar os homens no seu comportamento, e o que eles devem fazer para viver em sociedade e, caso elas sejam levadas a sério, aqui e alhures, a criminalidade diminui, as pessoas passam a respeitar as normas e a conviver em parcimônia com a ética. Mas, se a impunidade impera, e as leis são severas para uns e outros não, tudo tende a ser desviado para o campo da anarquia, do desalento e da descrença.

Até agora, o STF passa para a opinião pública que o peso do julgamento do mensalão irá, daqui pra frente, marcar o Brasil. Se for levado a sério até o seu final, com a condenação daqueles realmente envolvidos na falcatrua, os lapidadores do dinheiro público serão dissuadidos e pensarão duas vezes antes de praticar as suas transações corruptas e delituosas.

 

O peso deste julgamento marcará o Brasil, pois, aqui,sempre se teve convicção de que a impunidade cercaria políticos, governantes e poderosos. É essa convicção que já está quebrada, mesmo antes do fim do processo, e isso servirá como fato dissuasório. Pensarão duas vezes os corruptos antes das suas transações.

 

Ao quebrar a sequência da nefasta impunidade, através de um julgamento cauteloso, porém, firme, a Justiça brasileira mostrará ao País e ao mundo, que as barreiras que impedem que calhordas poderosos sejam postos na cadeia estão sendo dizimadas com a força da lei. A partir de agora, ficará mais difícil a repetição desse tipo de delito, e outros João Paulo Cunha também deverão pagar pelos crimes cometidos. É o que se espera!

A inteligência coletiva está atenta a todo tipo de manobra e não aceita, por hipótese alguma, que os limites da ética sejam suplantados por atos de compadrio ou mesmo através de “desculpas esfarrapadas”. O cidadão de bem, que paga os seus impostos não aceita mais o agravamento da corrupção no Brasil. Exige que se tenha zelo com o seu dinheiro e não se permita que ele seja desviado para satisfazer o ego gasoso de políticos corruptos.

 

Escancarado na sua credibilidade diante do julgamento do mensalão, o PT, daqui pra frente, terá que rever a sua forma de adquirir recursos para bancar as suas caríssimas campanhas e de barganhar votos no Congresso Nacional. Terá que se afastar, em definitivo, dos Dirceu’s e Delúbio’s caso pretende readquirir a confiança dos brasileiros.

O Partido, também deve levar em consideração, que a justiça e o eleitorado brasileiro, não engole mais, a tese propalada de caixa 2 para alimentar campanhas politicas do próprio partido e do seus aliados.

Há muito tempo já se foi por terra esse argumento e não se acredita mais nisso, o que poderá levar o Supremo Tribunal Federal a condenar todos os homens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive o ex-todo poderoso José Dirceu, considerado o mandarim do mensalão.

E, caso não se confirme, as palavras do ministro Celso de Melo não serviram pra nada e os profanadores da república continuarão a agir aqui e alhures sem temer os ditames da lei e da justiça.