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Blog do Vavá da Luz

“Quando o Coelho Branco cruza o nosso destino” desembargador José Ricardo Porto

Quando o Coelho Branco cruza o nosso destino.

José Ricardo Porto.

Em Alice no País das Maravilhas, tudo começa com um Coelho Branco. Ele surge apressado, olhando para o relógio, e desperta em Alice algo profundamente humano: a curiosidade. Ela o segue e, sem procurar destino algum, acaba chegando a um mundo que desconhecia.

O Coelho Branco é o início de toda a aventura. Talvez por isso possa representar o inesperado. Ele simplesmente aparece. E carrega um relógio — como se lembrasse que, enquanto pensamos se devemos seguir ou permanecer onde estamos, o tempo não interrompe sua marcha.

A vida também é assim. Nem tudo é planejado. Pessoas aparecem, oportunidades surgem, circunstâncias mudam e caminhos se abrem onde sequer imaginávamos existir uma passagem.

Diante do desconhecido, a cautela é necessária. Nem toda porta deve ser atravessada, nem todo caminho conduz a um País das Maravilhas. Mas prudência não é medo, assim como ousadia não deve ser imprudência. Há momentos em que a vida exige um pouco do espírito do desbravador: observar, avaliar e ter coragem para descobrir o que existe além do horizonte conhecido.

Alice seguiu o Coelho porque quis descobrir. E encontrou maravilhas, mas também dúvidas, perigos e contradições. Talvez esteja aí uma das grandes lições da história: o desconhecido não oferece garantias; oferece possibilidades.

Todos nós, em algum momento, podemos encontrar um “Coelho Branco”. Pode ser uma pessoa, uma oportunidade, uma mudança ou um acontecimento aparentemente sem importância. Alguns devem passar. Outros talvez mereçam ser seguidos.
O desafio está em saber a diferença.

O Coelho Branco passa, consulta o relógio e desaparece. Alice hesita por um instante. Depois, segue seus passos e entra na toca.

Talvez seja assim que alguns destinos começam: sem anúncio, sem explicação e sem revelar o que existe do outro lado.

O relógio continua correndo. O Coelho Branco pode passar a qualquer momento. E, quando passar, a decisão será nossa: seguiremos os passos de Alice ou permaneceremos onde estamos, esperando que o destino revele outro caminho?

Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba

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