“A herança que no princípio é adquirida.” Provérbios 20:21
“Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.” José Saramago
A pressa, essa velha conhecida que nos acompanha nas rotinas apressadas do dia a dia, é um paradoxo fascinante. Por um lado, ela carrega a promessa da perfeição: a busca incessante por resultados rápidos, a eficiência apurada em cada tarefa. Na frenética dança da vida moderna, muitos acreditam que quanto mais velozes somos, mais perto chegamos da realização plena. Contudo, será essa pressa realmente sinônimo de perfeição?
Enquanto avançamos a passos largos, perdemos, muitas vezes, o olhar atento aos detalhes sutis que compõem a beleza do cotidiano. A imperfeição, tão frequentemente subestimada, revela-se como uma aliada indispensável. É na fragilidade de uma obra de arte inacabada ou na hesitação de um sonho ainda em formação que encontramos a autenticidade. Os momentos de pausa, de reflexão, são os que nos permitem respirar e redescobrir o que realmente importa.
Quando nos permitimos desacelerar, a imperfeição brilha com toda sua luminosidade. Um prato mal cozinhado, uma conversa truncada ou uma ideia que não se concretizou à primeira tentativa são provas de que viver é experimentar, errar e aprender. A pressão pela perfeição muitas vezes nos aprisiona, enquanto a aceitação das nossas falhas nos liberta e enriquece.
Assim, a pressa pode ser tanto uma inimiga quanto uma aliada. Encontrar o equilíbrio entre a eficiência e a apreciação do momento presente é essencial. Em vez de perseguir a perfeição a qualquer custo, que possamos abraçar as imperfeições como parte intrínseca da nossa jornada, transformando cada instante em uma oportunidade de crescimento e aprendizado. Afinal, é na interseção entre a pressa e a contemplação que reside a verdadeira essência da vida.
“Caminhar com bom tempo, numa terra bonita, sem pressa, e ter por fim da caminhada um objetivo agradável: eis, de todas as maneiras de viver, aquela que mais me agrada.” Jean-Jacques Rousseau
Graça e paz da parte do nosso Deus