
A Polícia Federal, junto com a Controladoria Geral da União, deflagrou, na manhã desta quinta-feira (24), a Operação Duplo Espelho. A ação mira um suposto esquema de fraudes em benefícios assistenciais do tipo Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS). A operação aconteceu na cidade de Marizópolis, no Sertão da Paraíba.
Ao todo, dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos, sendo que um deles foi na Secretaria Municipal de Assistência Social de Marizópolis.
De acordo com a PF, a operação teve como objetivo coletar elementos que possam comprovar uma possível inserção de dados falsos no Cadastro Único (CadÚnico), além da utilização de CPFs extemporâneos, múltiplas identidades e endereços cadastrais para viabilizar ou manter benefícios indevidos.
A investigação teve origem em análise feita pela Polícia Federal. Nela foram identificadas fraudes previdenciárias e em benefícios assistenciais para pessoas de baixa renda. De acordo com o que foi divulgado pela PFG, os levantamentos apontaram a existência de 399 benefícios com características que dão indícios de fraudes.
Pelos dados coletados pela Polícia Federal, é possível que o dano ao erário público possa chegar a aproximadamente R$ 646,7 mil por mês, ou R$ 7,76 milhões por ano, caso confirmada a irregularidade nos 399 benefícios sob suspeita. Os números levam em conta o valor atual do BPC/LOAS.
De acordo com o delegado Augusto Neto, chefe da Polícia Federal em Patos, as investigações apontam que as fraudes no BPC vêm acontecendo desde 2024. Além disso, ele informou que um celular, um computador e documentos estão entre os objetos que foram apreendidos.
Segundo mandado foi cumprido em Triunfo
De acordo com a Polícia Federal, além do mandado cumprido na secretaria de Ação Social de Marizópolis, o segundo mandado foi cumprido na cidade de Triunfo.
O investigado é um servidor da Prefeitura de Marizópolis que mora em Triunfo. De acordo com a PF, a função dele é fazer o recadastramento de beneficiários do BPC. A abordagem aconteceu na saída da cidade.
Em seguida, a PF se dirigiu para a casa do servidor para o cumprimento do mandado de busca e apreensão.
O que diz a Prefeitura de Marizópolis
Em contato com o Blog, o prefeito de Marizópolis, Luquinha do Brasil (PSB), afirmou que não tinha conhecimento da participação da Polícia Federal na ação desta manhã. No entanto, ele estava ciente da ida da CGU até a secretaria.
“Estou tomando conhecimento de que a CGU esteve lá no Cras pedindo algumas informações. Mandado de busca eu não estou sabendo. Todo mundo está trabalhando normalmente lá. Estou aguardando o meu assessor jurídico pra saber o que está se passando”, disse o prefeito.
A pasta é gerenciada pela primeira-dama da cidade, Léia Gomes de Brito Braga, que atua como secretaria municipal.
Veja a nota da Prefeitura de Marizópolis
A Prefeitura Municipal de Marizópolis, diante das notícias divulgadas nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, acerca da denominada Operação Duplo Espelho, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), vem prestar os seguintes esclarecimentos à população.
Inicialmente, o Município manifesta integral respeito ao trabalho desenvolvido pela Polícia Federal, pela Controladoria-Geral da União, pelo Poder Judiciário e pelos demais órgãos de fiscalização e controle, colocando-se à disposição das autoridades competentes para prestar todas as informações e fornecer os documentos que forem eventualmente solicitados no curso das investigações.
É importante esclarecer que, conforme as próprias informações oficiais divulgadas pela Polícia Federal, trata-se de investigação ainda em andamento, destinada a apurar possíveis irregularidades relacionadas à inserção e à manutenção de informações no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
Os números divulgados até o presente momento, inclusive a referência a 399 benefícios, dizem respeito a benefícios que apresentariam características consideradas sugestivas de irregularidade pelos órgãos investigadores, não representando, nesta fase, conclusão definitiva de que todos esses benefícios sejam fraudulentos.
Da mesma forma, os valores mencionados como possível prejuízo ao erário constituem estimativas condicionadas à efetiva confirmação das irregularidades investigadas.
A Administração Municipal esclarece, ainda, que o Cadastro Único é instrumento utilizado por diversos programas sociais do Governo Federal, cabendo ao Município atividades relacionadas ao atendimento das famílias, coleta, inclusão e atualização das informações cadastrais.
Por sua vez, no caso específico do Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), a concessão, manutenção, revisão, suspensão e cessação do benefício são atribuições dos órgãos federais competentes, especialmente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na forma da legislação vigente.
O simples fato de diligências investigativas terem alcançado instalações ou atividades vinculadas à Administração Municipal não autoriza, por si só, qualquer conclusão quanto à responsabilidade do Município, da atual gestão ou de seus agentes, devendo eventuais responsabilidades individuais ser devidamente apuradas pelas autoridades competentes, com observância do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência.
A Prefeitura de Marizópolis acompanhará atentamente o desenvolvimento das apurações e, caso sejam oficialmente identificadas irregularidades funcionais atribuíveis a agentes públicos municipais, adotará, no âmbito de suas competências, todas as providências administrativas e legais cabíveis, sempre com responsabilidade e observância da legislação.
Por fim, a Administração Municipal reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência, a correta aplicação dos recursos públicos e a proteção das políticas sociais destinadas à população que delas efetivamente necessita, permanecendo à disposição dos órgãos de investigação e controle para contribuir com o integral esclarecimento dos fatos.