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Blog do Vavá da Luz

OPINIÃO | “Marcos Pires nunca saiu da arena” com o desembargador José Ricardo Porto

Marcos Pires nunca saiu da arena.

José Ricardo Porto.

Conheço Marcos Pires desde a adolescência. Na verdade, dizer apenas que o conheço é pouco. Nossas histórias vêm de longe, de famílias que conviveram, de pais que foram amigos, de irmãos que cresceram próximos e de uma amizade que atravessou o tempo sem precisar pedir licença para permanecer.

Marcos é filho de Doutor Adrião e de Dona Creuza Pires, irmão de Daniel, também advogado e meu amigo, e do saudoso David. Convivi com todos eles. Doutor Adrião e meu pai, Silvio Porto, foram amigos. Por isso, quando falo de Marcos, não falo de alguém que encontrei pela vida. Falo de alguém com quem dividi a própria vida em muitos de seus capítulos.

Os Pires marcaram uma época de João Pessoa. O Gran Pires foi símbolo de prosperidade e modernidade no comércio paraibano. Marcos cresceu cercado pelo conforto de uma família bem-sucedida e conheceu, ainda muito jovem, aquilo que parecia ser a segurança de um futuro já desenhado.

Mas a vida, como costuma fazer com os homens que pretende testar, mudou o roteiro.

Vieram as dificuldades econômicas da família. E aquele rapaz acostumado a uma realidade confortável descobriu cedo que havia momentos em que não adiantava lamentar o que ficara para trás. Era preciso enfrentar o que estava pela frente.

Foi assim que a advocacia ganhou um significado especial em sua vida. Marcos me contou que escolheu o Direito também porque sua família já não dispunha das mesmas condições para contratar advogados. Queria ele próprio defender os interesses de Doutor Adrião e Dona Creuza.

E defendeu.

Ali talvez tenha começado a aparecer, com toda nitidez, o Marcos que conheço: o homem que, diante da dificuldade, não pergunta onde está a saída. Procura por ela.

A vida lhe apresentou obstáculos. Marcos respondeu com luta.

Tornou-se advogado respeitado, inteligente, criativo e competente. Reconstruiu caminhos, conquistou seu próprio espaço e formou uma história profissional que hoje encontra continuidade no filho, Pedro Pires, jovem e brilhante advogado.

Há heranças que não aparecem em inventários.

A coragem é uma delas.

Mas ninguém compreenderá Marcos Pires olhando apenas para o advogado.

É preciso conhecer o homem.

Marcos gosta da vida. Gosta dos amigos, da conversa, da mesa, do riso, das histórias e até das coisas improváveis que somente ele é capaz de imaginar. Criou a Baratona e fez do carnaval mais uma extensão de sua personalidade. Marcos tem essa rara capacidade de misturar inteligência e irreverência, seriedade e alegria, responsabilidade e uma certa dose de loucura indispensável aos que decidiram não atravessar a existência apenas contando os dias.

E talvez esteja aí uma de suas maiores virtudes: Marcos nunca permitiu que as dificuldades lhe confiscassem a alegria.

Eu o vi em diferentes momentos da vida. Vi de perto suas lutas, seus recomeços e sua capacidade de transformar dificuldades em histórias que, algum tempo depois, ele próprio contava dando risada.

Esse é Marcos.

Caiu? Levantou.

Perdeu? Reconstruiu.

A vida apertou? Ele foi em frente.

E foi assim muitas vezes.

Existem homens que demonstram sua força quando tudo lhes é favorável. Outros revelam quem verdadeiramente são quando o vento muda de direção.

Marcos pertence a estes últimos.

Meu amigo, a vida é uma arena. Você sabe disso melhor do que muitos de nós.

Já entrou nela outras vezes. Já enfrentou adversários que pareciam maiores. Já esteve nas cordas. E sempre encontrou dentro de si alguma coisa que o fez levantar a guarda outra vez.

É por isso que, depois de tantos anos de amizade, tenho uma certeza sobre você:
guerreiro não escolhe a luta, mas escolhe como enfrentá-la.

E você sempre escolheu lutar.

Com sua inteligência. Com sua coragem. Com sua família. Com seus amigos. Com sua fé. E, sobretudo, com essa alegria quase teimosa de quem decidiu que viver vale a pena.

Continue na arena, Marcos.

Há muita história ainda para contar, muita mesa para reunir os amigos, muito processo para discutir, muita Baratona para inventar e muita gargalhada sua que nós ainda queremos ouvir.

A vida já aprendeu uma coisa a seu respeito:

Marcos Pires não é homem de entregar os pontos.

Nunca foi.

E não vai começar agora.

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