| Por Ingreson Derze

O neurocirurgião José Ramalho Neto afirmou, em entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, que “o mesmo modelo operacional que vitimou seu José Carlos e sua esposa” está sendo investigado pelo Ministério Público. Segundo ele, a entidade da qual faz parte é denunciante do caso e sustenta que o Conselho Regional de Medicina “não achou que seria importante denunciar ao Ministério Público o caso de morte de paciente que passou mais de 25 dias internado tentando fazer uma cirurgia que era para ser feita em 24 horas, que ficou tetraplégico e que morreu”.
O médico declarou que participou da oitiva e que o denunciado tentou se defender alegando “que foi um erro pontual de outra Unimed” e que “às vezes, como as Unimed são muito amigas, ele não leu o relatório e emite o parecer sem ler o relatório”. Ramalho disse que pode apresentar o documento e que “isso está escrito”. Para ele, trata-se de “falha da assistência promovida pela restrição”, afirmando que há “ação direta da imposição de barreiras para restringir o tratamento de pacientes e garantir o lucro”.
Durante a entrevista, ele acrescentou que protocolou aditivo de denúncia envolvendo “a morte de uma paciente com câncer que estava em Pernambuco sob responsabilidade do mesmo plano de saúde, aqui João Pessoa”. Segundo relatou, a paciente tinha leucemia linfocítica aguda e “passou mais de 28 dias, 30 dias tentando fazer uma quimioterapia que deveria ser feita o mais urgentemente possível”. Ele afirmou que, “mesmo com a ordem judicial, essa mulher morreu por não ter tido acesso ao medicamento no momento oportuno”.
Ramalho declarou que possui “provas materiais desse comprometimento” e que quer apresentar à sociedade paraibana. Disse ainda que está sendo “vítima de calúnia e difamação” e mencionou que o presidente da Frente Parlamentar, o deputado Rodrigo Galdino, enviou ofício à Diretoria-Geral da Polícia Federal sugerindo medidas protetivas aos denunciantes. “Aquelas pessoas que se perguntam como vão me parar, tentem me matar. É a única forma. Eu não paro”, afirmou.
Ao citar nomes, o médico disse que a vice-presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba “é diretora secretária do Instituto Unimed João Pessoa”. Também mencionou que “o segundo vice-presidente Walter Fernandes de Azevedo figura como titular do conselho fiscal do Instituto Unimed João Pessoa” e que “José Calixto da Silva Filho [está] identificado em documento institucional como diretor clínico e técnico Unimed João Pessoa”. Segundo ele, os dados são públicos e foram encaminhados ao Conselho Federal de Medicina.
Por fim, Ramalho declarou que todas as denúncias são feitas “na qualidade de frente parlamentar”, com assinatura dele e de outros deputados federais, e citou o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmando acreditar “fielmente na integridade do seu comportamento em relação a essa pauta”. Ele concluiu dizendo que são “53 milhões de brasileiros que pagam plano de saúde no Brasil” e que, se alguém julgar que as denúncias “não são verdade”, que afirme, destacando que o espaço está aberto para manifestação dos citados.