Era quase uma aposta certa: a maioria dos analistas políticos e especuladores apostavam que o deputado e presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicaria seu colega de bancada, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), para relatar o projeto de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Afinal, ambos são paraibanos e por ter relatado a reforma tributária na Câmara, uma indicação de Aguinaldo parecia uma escolha natural. No entanto, Motta contrariou as expectativas de alguns ao escolher o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para a função, tirando o “doce” da boca de seu conterrâneo.
A escolha de Lira foi justificada por Motta à aliados, segundo a imprensa nacional, com base na sua reputação de cumprir acordos e na necessidade de evitar conflitos, dado o histórico de atritos entre Aguinaldo Ribeiro e Lira. Porém, essa decisão não é apenas uma questão técnica, mas uma jogada estratégica com repercussões políticas importantes. Ao afastar Aguinaldo da relatoria, Motta não só impede que o paraibano ganhe visibilidade em um projeto de grande exposição, mas também enfraquece politicamente o grupo dos Ribeiros, que vivem hoje uma espécie de guerra fria na disputa pelo comando da federação PP-UNIÃO Brasil na Paraíba.
Relatar um projeto como esse, que promete grande visibilidade, seria uma oportunidade estratégica para Aguinaldo se destacar, ampliar sua popularidade e fortalecer seu projeto político.
Além disso, Hugo manda um recado claro para o Governo Lula, que tinha indicado o nome de Aguinaldo para relatar o projeto: ele não vai abrir mão de suas prerrogativas por conta de pressões, seja do governo federal ou da oposição.