O Dia internacional da Prostituta é uma data comemorativa, que lembra a discriminação das prostitutas, as suas condições precárias de vida e de trabalho e a sua exploração. O ponto de partida para esse dia comemorativo foi o dia 2 de junho de 1975, no qual mais de 100 prostitutas ocuparam a Igreja Saint-Nizier em Lyon, a fim de chamar a atenção para a sua situação.[1] O Dia da Prostituta é celebrado anualmente desde 1976 no dia 2 de junho.
Contexto histórico
A partir dos anos 70, as agências policiais mantiveram as prostitutas em França sob crescente pressão. As represálias da polícia[1] forçaram as mulheres a trabalhar em segredo. Como resultado, a protecção relativa da observância pública acabou e as meninas se viram confrontadas com um aumento da violência contra elas por cafetões, clientes e policiais. Depois de dois assassinatos e falta de vontade do governo para melhorar a situação das prostitutas, estas ocuparam uma das igrejas locais em Lyon – Saint-Nizier, na rue de Brest – e entraram em greve. Depois de oito dias, a igreja foi liberada pela polícia.[2] O evento é considerado como o ponto de partida de um movimento de putas.[3]
No Brasil
No Brasil, o dia 2 de junho também é celebrado como Dia Nacional das Prostitutas, data que coincide com a fundação da Rede Brasileira de Prostitutas (RBP) em 1987. A organização foi criada durante o Primeiro Encontro Nacional de Prostitutas, realizado no Circo Voador no Rio de Janeiro, reunindo profissionais do sexo de diferentes estados brasileiros para debater direitos, combate à violência e reivindicações trabalhistas. A escolha do dia 2 de junho como data do encontro fundador foi deliberada, conectando o movimento brasileiro à luta internacional iniciada em Lyon em 1975.[4]
A RBP, fundada pelas ativistas Gabriela Leite e Lourdes Barreto, tornou-se a principal articuladora nacional do movimento de profissionais do sexo no Brasil, defendendo descriminalização do trabalho sexual, reconhecimento profissional e participação em políticas públicas de saúde e segurança. A data é celebrada anualmente por organizações associadas à RBP em diferentes estados brasileiros, com eventos, debates públicos e manifestações pela garantia de direitos civis e trabalhistas.[5]
Hoje
A situação actual das trabalhadoras do sexo não tem melhorado desde 1975 documentou uma leitura intitulada “Mulheres sem quartos”, em 29 de Maio 2011, realizada em Bochum, Alemanha. A leitura foi dedicada aos profissionais do sexo da cidade vizinha Dortmund, na qual queriam suprimir as prostitutas da vida pública com meios semelhantes aos de 1975, em Lyon.[6]

O Poeta Vavá da Luz presta sua homenagem às meninas
A outra
–
Querida, minha Deusa, meu amor.
Meu encanto, meu doce, minha vida.
É assim que o homem, o lenocida.
Refere-se a mulher com quem casou
–
A rainha do lar, diz um farsante.
A mãe dos meus filhos, outro grita.
Minha cara metade diz falante
Minha razão de viver alguém palpita
–
Minha esposa querida diz no bar,
Na tribuna, no lar, no matrimônio,
E jurando somente a ela amar
Sentencia e divide o patrimônio
–
Sai de casa esse homem pro trabalho
Sob as bênçãos da prole que ele esmera
Entre drinks, fumaças e baralhos
Do outro lado da vida alguém lhe espera
–
É alguém que lhe aguarda com calor
Que contra o preconceito luta e briga
Recebendo migalhas de amor
Não tem nome, lhe chamam RAPARIGA.
–
Com um sorriso lhe beija a boca fria
Com um abraço lhe enche de calor
Com um olhar lhe convida a fantasia
De momentos felizes de amor
–
E essa pobre mulher tão mal amada
Incompreendida talvez no mundo inteiro
Pelo homem não foi mais que enganada
Se passando por rico e por solteiro
–
Entregou-se por amor, não dividiu.
Deu se toda doou se, foi a luta.
E o fruto do amor a quem pariu
Simplesmente é FILHO DE UMA PUTA
–
Oh malditos marchantes do amor !!!
Porque usas do mal que tu condenas ?
Não te lembras que CRISTO perdoou
Os pecados de amor de MADALENA ?.
–
vavadaluz
Nota do Editor : O lenocínio compreende toda ação que visa a facilitar ou promover a prática de atos de libidinagem ou a prostituição de outras pessoas, ou dela tirar proveito, que é um grave problema social.
O POETA RENA BEZERRA TABÉM GOSTA DO TEMA
Desde quando mundo é mundo
Que elas são absolutas,
Muitas vezes condenadas
Julgadas pelas condutas,
Tidas como messalinas
Raparigas, concubinas
Meretrizes, prostitutas.
Tem um histórico de lutas
Travadas por seus direitos,
Que são vilipendiados
Envoltos de preconceitos,
Como se a sociedade
Tivesse a moralidade
De repugnar conceitos.
Mas mesmo assim tem aos eitos
Sem ligar para essas regras,
Vendem prazer, são amadas
No bem-estar das refregas,
Não se importam das falácias
São providas de audácias
São famintas nas entregas.
São procuradas sem tréguas
Pelos desacompanhados,
Ou por aqueles que não
Encontra mais os agrados
Nos casamentos falidos
E vão pra ser possuídos
E literalmente amados.
Nem que seja alguns agrados
Vale o momento e o riso,
O cheiro delas seduz
Torpece qualquer juízo,
Que a gente quer flutuar
Pensando na hora estar
Vagando no paraíso.
Por isso hoje é preciso
Fazer uma saudação
A Estrela, Dona Beja
Também Hilda Furacão,
A Madame Pompadour
A linda Belle de Jour
Que fizeram ebulição.
Nessa mesma exaltação
Teve Surfistinha aqui,
Em París com seus talentos
Tivemos a Mata Hari,
Temístocleia na Grécia
La na Itália Lucrécia
E na França Bovari.
E assim termino aqui
Enaltecendo as demais,
Mulheres de vida dura
Mas tão feliz no que faz,
Por isso digo profundo
Desde quando mundo é mundo
Que elas são essenciais.
Poeta cordelista
Rena Bezerra