
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
O belicoso entrevero travado entre Veneziano Vital do Rêgo, João Azevedo e Nabor Wanderley – todos candidatos do governo petista e apoiados por Lula – disputam entre si, as duas vagas para o senado, nas eleições de outubro próximo. Veneziano Vital do Rêgo (MDB), conta com o apoio do prefeito Cícero Lucena, candidato a governador. João Azevedo, que vem realizando uma gestão bem avaliada pela população, terá o apoio do futuro governador Lucas Ribeiro, a ser empossado no próximo dia 02/04/2026. Tem como companheiro de chapa (segunda opção de voto), o prefeito de Patos Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta.
É impossível fazer no momento – e talvez até o dia da eleição – qualquer previsão, sobre quem entre os três, ocupará uma das duas vagas. A outra, o ex-ministro da saúde Marcelo Queiroga, com total apoio da direita, composta por conservadores, Cristão e Bolsonaristas, não tem concorrente dentro do seu bloco. Só lhes resta o “dever de casa”: andar muito, errar menos e gastar bem, com a estrutura de comunicação. Percorrer pelo menos, duas vezes todo o Estado, nos próximos oito meses.
A quem interessa a vitória de João Azevedo? Apenas a ele próprio, e a seu grupo. Lucas Ribeiro disputará este ano, uma reeleição. E João – caso seja eleito senador – pretende voltar em 2030. Cícero Lucena, se vencer o pleito, disputará a reeleição e pode permanecer no governo até 2034. Efraim Morais, tem esta mesma expectativa. Sob este prisma, o adversário direto de João Azevedo, é o senador Veneziano Vital do Rêgo. Espera ser puxado pelo governador Lucas, e seu companheiro Nabor Wanderley, com apoio do Republicanos. O derrotado deste embate (João x Veneziano) encerrará sua carreira política. Nabor Wanderley, se constitui na única esperança de Hugo, para ao seu lado, e no Senado Federal, arquivarem uma série de investigações que os atormentam.
Passando à margem do “tiroteio”, segue Marcelo Queiroga, distante do fogo cruzado e esquecido como alvo. As probabilidades de se repetir a média dos resultados eleitorais do PT – que vence na Paraíba desde 2002 – são plausíveis: 60% x 40%. A eleição para o senado é turno único. Os postulantes do governo Lula, terão que dividir 60% por três. Dificilmente um dos três conseguirá cravar 33%. Quanto a Marcelo Queiroga, que parte já com perspectiva do apoio de 40% do contingente eleitoral da direita, pode se dar ao luxo de perder 7%, alcançar 33%, e conquistar a primeira vaga.
Correndo por fora, o obstinado ex-governador Ricardo Coutinho, candidato a deputado federal, pode ser decisivo na vitória do senador das esquerdas, e numa eventual derrota de Lucas Ribeiro – mesmo sentado na cadeira e com a caneta na mão – repetindo a campanha (reeleição) de José Maranhão em 2010. Com ação da “Operação Calvário” trancada no STF, por decisão de Gilmar Mendes, Coutinho virá com o forte e comovente discurso, do perseguido traído. A “Operação Calvário”, deflagrada em 2019, durante sete longos anos, não conseguiu provas suficientes para julgar e condenar nenhum dos seus réus. A vingança é um prato frio. Coutinho não medirá esforços para derrotar seu principal rival, João Azevedo.
Vivendo seus dias de “Gení”, massacrado pela mídia, perseguido pelo Palácio da Redenção, em 2022 Ricardo Coutinho fez uma campanha solitária para o Senado Federal, sem fundo eleitoral, com o MP no seu encalço, e obteve 431.857 votos. Deixou a Paraíba boquiaberta. Vai querer voltar, e ocupar o espaço que lhes tiraram, em 2030.