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Blog do Vavá da Luz

De ‘defensor da democracia’ a ‘cabo eleitoral involuntário’ de Flávio: como Moraes influenciou a eleição e enfrenta risco de impeachment

Alexandre de Moraes e Lula conversam durante encontro em Brasília (Foto: Instagram)© Foto: Instagram

Alexandre de Moraes desembarcou no Supremo Tribunal Federal em 2017, indicado por Michel Temer, então adversário político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos anos seguintes, o ministro se destacou ao presidir o Tribunal Superior Eleitoral, defender a segurança da urna eletrônica e comandar investigações contra Jair Bolsonaro e seus aliados por tentativa de golpe de Estado. Essas ações o aproximaram do campo petista aos olhos de bolsonaristas, que passaram a associá-lo diretamente ao governo Lula, ainda que o presidente não tenha sido responsável pela sua nomeação.

A consolidação dessa ligação se intensificou em 2022, quando Moraes aplicou medidas contra desinformação e ataques ao sistema eleitoral. No pleito de 2026, porém, uma nova controvérsia veio à tona: as suspeitas de relação entre o ministro e o ex-banco­eiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Especialista

Em meados de 2026, foram divulgadas mensagens e documentos apontando contatos entre Moraes, pessoas de sua confiança e Daniel Vorcaro, além de contratos envolvendo o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Ele nega qualquer irregularidade, mas a repercussão levou parlamentares a protocolar pedidos de impeachment, alegando possíveis crimes de responsabilidade. Leonardo Paz, pesquisador da FGV, avalia que o caso Master “quebra um pouco a imagem” de juiz ilibado construída nos anos anteriores, trazendo desgaste político num momento em que parte do eleitorado buscava entender quem de fato representava a defesa das instituições democráticas.

Para Adriane Buarque, coordenadora do Esfera Lab na ESPM, o prolongamento dessa controvérsia consumiu espaço que poderia ter sido dedicado a debater propostas e a aproximar candidatos dos eleitores. A escassez de debates também contribuiu para que parte do público optasse por voto útil, migrando em última hora para Flávio Bolsonaro, ou mesmo pela abstenção, diante da descrença nas lideranças e na percepção de que nem Lula nem Moraes estariam à altura dos ideais democráticos que sempre defenderam.

No âmbito eleitoral, a ideia de responsabilizar ministros do STF ganhou protagonismo nos discursos de candidaturas ao Senado, sobretudo de grupos de extrema-direita. Embora ainda não existam votos suficientes para concretizar um processo, a decisão de pautar eventuais pedidos de impeachment cabe ao presidente da Casa. Até o momento, requerimentos foram apresentados, mas o avanço dependerá tanto da composição numérica quanto da agenda estabelecida pela Mesa Diretora, tornando o tema um dos principais fatores de tensão política para o próximo período.

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