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Blog do Vavá da Luz

Cora Coralina — Quando a Simplicidade se Transforma em Eternidade

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” Eclesiastes 3:1

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” Cora Coralina

Há pessoas que atravessam a vida fazendo barulho; outras passam quase silenciosamente e, quando percebemos, deixaram marcas que o tempo não consegue apagar. Cora Coralina pertence a esse segundo grupo. Entre as ruas antigas de Goiás, as pedras, os quintais, os rios, os doces e as lembranças de uma existência aparentemente simples, ela descobriu matéria-prima para sua poesia. Sua grandeza nasceu justamente da capacidade de enxergar o extraordinário escondido nas pequenas coisas. Cora nos ensina que uma vida não precisa ser cercada de aplausos para possuir significado: basta que seja vivida com sensibilidade, coragem e verdade.

Sua trajetória também é uma extraordinária lição sobre o tempo. Cora publicou seu primeiro livro aos 75 anos, quando muitos poderiam imaginar que os grandes sonhos já deveriam pertencer ao passado. Ela mostrou exatamente o contrário: há sonhos que precisam amadurecer antes de florescer. Sua história parece dialogar profundamente com as palavras do Eclesiastes: existe um tempo determinado para cada propósito. Nem sempre o relógio de Deus acompanha a nossa ansiedade. Algumas sementes permanecem durante anos escondidas sob a terra, mas isso não significa que estejam mortas — talvez estejam apenas criando raízes para florescer no momento certo.

A poesia de Cora Coralina nasceu do cotidiano e voltou-se para as pessoas comuns. Sua escrita encontrou beleza nas lavadeiras, nas mulheres trabalhadoras, nos becos, nas casas antigas, nas dificuldades e nas memórias daqueles que raramente ocupavam o centro das grandes narrativas. Ela compreendeu que a dignidade humana também mora nas pequenas histórias. Talvez esteja aí uma das maiores forças de sua obra: fazer-nos olhar novamente para aquilo que a pressa tornou invisível. Cora transformou simplicidade em literatura, memória em resistência e experiência em sabedoria.

Por isso, recordar Cora Coralina é também fazer uma pergunta a nós mesmos: quantos sonhos abandonamos simplesmente porque imaginamos que passou o nosso tempo? Sua vida responde que enquanto houver esperança, aprendizado e disposição para recomeçar, ainda existe caminho. Não importa se a caminhada começou cedo ou tarde; importa não permitir que o medo escreva o último capítulo da nossa história. Cora envelheceu sem permitir que seus sonhos envelhecessem. E talvez essa seja uma das mais belas lições que podemos guardar: nunca é tarde para transformar aquilo que carregamos na alma em algo capaz de tocar outras vidas.

“O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada.” Cora Coralina

Graça e paz da parte do nosso Deus.
Prof. Matusalem Alves Oliveira

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