A troca no comando da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano escancarou, neste sábado (18), mais do que uma simples mudança administrativa no Governo da Paraíba. O que saiu no Diário Oficial foi um recado político em letras formais: Pedro Ivo Nogueira Loureiro caiu antes mesmo de se firmar no cargo, e Neide Nunes foi nomeada para assumir a pasta.
@clilsonjr
O governo publicou, de um lado, o ato que tornou sem efeito a nomeação de Pedro Ivo, feita no começo de abril. De outro, formalizou a entrada de Gilvaneide como nova secretária. A sequência dos atos não deixa dúvida de que houve uma mudança de rota no meio do caminho.
Na superfície, é uma substituição. No subsolo da política, é uma derrota e uma vitória bem definidas.
De acordo com o que foi apurado pela redação do BC1, a nomeação de Neide Nunes representa uma vitória do PT dentro da composição do governo, com peso direto do grupo da deputada Cida Ramos, que sai fortalecido de uma disputa silenciosa, mas intensa, por espaço no primeiro escalão. Já a queda de Pedro Ivo é lida nos bastidores como o naufrágio de uma articulação que tinha apoio de outro campo político e que não conseguiu se sustentar.
No vocabulário cru da política, o movimento tem tradução rápida: Cida Ramos, deputada estadual e presente do PT na Paraíba, venceu. “Pollyanna Werton”, a ex-secretária de Desenvolvimento Humano do Estado, que deixou o cargo recentemente para se candidatar a deputada federal pelo PP”. perdeu a indicação.
A Secretaria de Desenvolvimento Humano não é uma pasta qualquer. É uma estrutura com forte presença social, capilaridade nos municípios e alcance político relevante. Controlar essa área significa ter voz ativa numa agenda que mistura assistência social, presença institucional e articulação territorial. Por isso, a troca não pode ser lida como detalhe.
O que o Diário Oficial mostra é que Pedro Ivo foi retirado antes de consolidar a posse política. O que os bastidores mostram é que houve pressão, rearranjo e definição de forças. E quando um nome cai tão cedo, o gesto raramente é técnico. É político. Muito político.
A entrada de Gilvaneide, nesse cenário, funciona como carimbo de uma nova correlação de forças dentro da base aliada. O governo reajusta seu tabuleiro, contempla um grupo específico e, ao mesmo tempo, deixa claro que ainda está administrando tensões internas na montagem do seu núcleo político-administrativo.
No fim das contas, o Diário publicou duas linhas de governo. Mas a política leu um capítulo inteiro: o PT avançou, Cida Ramos ampliou espaço e a disputa interna teve vencedor e vencido.
