Nos tempos em que João Pessoa se vestia de noite e sussurros, a Rua Maciel Pinheiro pulsava como o coração boêmio da cidade. Ali nasceu, em 1950, o mais famoso e elegante dos cabarés da Paraíba: a lendária Pensão da Hosana, inaugurada ao som de Nelson Gonçalves, no auge da fama.
Era mais que um cabaré. Era ritual. Era luxo, música e etiqueta. As meninas dançavam valsas ao som do saxofone de Dedé, trocavam de vestidos todos os sábados e escolhiam com critério quem podia cruzar as portas daquele templo da sedução. Quenga de respeito, diziam. Quenga que sabia tratar o liso e o endinheirado com a mesma dignidade.
Ali, quem mandava era Hosana. Só entrava quem tivesse bom guardado e, de preferência, banho tomado. O salão fervia com políticos, desembargadores, usineiros e poetas, todos rendidos aos encantos da casa. O mais ilustre frequentador? O desembargador Júlio Rique, que celebrou ali, de samba-canção e paletó branco, seu aniversário diante da elite enfeitiçada.
A Maciel Pinheiro já foi Rua do Comércio, Rua Conde D’Eu e até Rua das Convertidas, por abrigar religiosas que acolhiam prostitutas arrependidas. Mas na sua fase mais luminosa, foi palco da boemia que hoje vive na memória e na saudade.
Hoje, os casarões estão em silêncio. Mas quem passa devagar, talvez ainda ouça um eco de saxofone, uma risada rouca, o tilintar dos copos e os passos de Hosana cruzando o salão com seu olhar de comando.
A história resiste. E merece ser lembrada.