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Blog do Vavá da Luz

Aposta de R$ 650 milhões no Polo Cabo Branco (PB) pode alterar eixo hoteleiro no NE

A entrada do Grupo Tauá no mercado paraibano é o movimento mais forte da hotelaria de lazer no Nordeste para os próximos anos. Ao investir R$ 650 milhões em um resort de grande porte, que oferecerá 1.120 leitos, o grupo mineiro não apenas levanta um prédio, mas prova que o Polo Turístico Cabo Branco pode concorrer de igual para igual com destinos famosos como Porto de Galinhas (PE) e a Praia do Forte (BA). Para quem investe, o projeto mostra que a segurança para fazer negócios – garantida pela excelente saúde financeira da Paraiba é atualmente um diferencial tão importante quanto as belezas naturais.

O hotel tem a sustentabilidade levada a sério, uma exigência de grandes fundos de investimento mundiais. O Tauá João Pessoa pretende operar sem emitir gases poluentes (Carbono Neutro), usando energia 100% limpa e acabando com plásticos descartáveis. Esse rigor coloca pressão sobre os hotéis vizinhos, que agora precisam correr para modernizar o consumo de energia e o descarte de lixo para não perderem hóspedes para um concorrente que já nasce dentro das normas ambientais mais modernas do mundo.

Na prática, o grande desafio será encontrar pessoal qualificado. A abertura de 678 vagas diretas em uma capital que vive um crescimento acelerado de prédios e novos moradores pressiona o mercado de trabalho local. A estratégia do grupo para resolver a falta de profissionais prontos envolve contratar nordestinos que trabalham em outras regiões e oferecer treinamentos pesados.

Segundo Isis Batista, gerente de sustentabilidade e responsabilidade social do grupo, o foco é a diversidade. “Queremos preencher nossos espaços com rostos e corpos diversos, respeitando também a inclusão de pessoas com deficiência”, afirma a executiva.

Relação com a comunidade e regras de boa vizinhança

A sobrevivência de hotéis desse tamanho depende de uma boa relação com quem mora em volta. O Instituto Tauá funciona como o braço da empresa que cuida da parte social e evita conflitos com as comunidades vizinhas. Na comunidade do Aratu, o grupo já começou a investir na reforma de escolas.

“A parceria começou com a doação de materiais para ajudar na construção de uma sala de aula de reforça para as crianças da comunidade, o que confirma nosso compromisso com a inclusão”, destaca Batista. Esse tipo de gestão é o que grandes investidores procuram para garantir que o hotel seja bem aceito pela população local.

A “descoberta” da Paraíba após estudos de mercado

A escolha do local veio após três anos de pesquisas, nos quais o grupo buscou um destino com facilidade de transporte e apoio do governo. Lizete Ribeiro, CEO do Grupo Tauá, admite que a capital paraibana não era a primeira opção da lista.

“João Pessoa não era um destino muito óbvio na época, mas eu resolvi conhecer a cidade. Fomos visitar o Polo Cabo Branco junto ao governador João Azevedo e ele me contou que o objetivo era transformar aquele espaço, revela a CEO. A decisão final mostra que, na disputa por novos investimentos, a rapidez do governo em preparar áreas organizadas vence até os destinos mais tradicionais

O modelo de negócio também tenta evitar que o hotel pareça uma “fábrica” igual a todas as outras redes. Ao usar o artesanato local na decoração, o grupo tenta atrair o turista que busca uma experiência real do destino.

Lizete Ribeiro reforça que o projeto saiu do papel por uma mistura de oportunidade técnica e apoio político. “A coisa só aconteceu por paixão: quando chegamos aqui, conhecemos as pessoas, o governador e todos os envolvidos. Nunca vimos uma vontade tão verdadeira de mudar o turismo de uma região”, declarou a executiva.

Risco e retorno na vitrine do Polo Cabo Branco

O sucesso desse hotel será o teste de fogo para o Polo Cabo Branco, que ainda espera outros R$ 2 bilhões em novos projetos. Se o Tauá conseguir lotar os quartos como planeja, a Paraíba pode consolidar um novo caminho de crescimento baseado em serviços de alta qualidade.

O polo turístico é o maior complexo de hospitalidade e lazer planejado do Nordeste, ocupando uma área estratégica de 645 hectares em João Pessoa. O projeto foi estruturado pelo Governo da Paraíba para ser um motor de desenvolvimento econômico, conectando a preservação ambiental de uma das maiores reservas de mata atlântica urbana do país à infraestrutura de alto padrão.

Com uma divisão técnica em distritos, o polo organiza o território para receber resorts de luxo, parques temáticos, centros de convenções e equipamentos de comércio, garantindo que o crescimento turístico ocorra de forma ordenada e integrada à paisagem litorânea.

Do ponto de vista financeiro, o complexo funciona como um hub de atração de capital privado, com investimentos estimados em bilhões de reais que visam transformar a dinâmica do setor de serviços no estado. A viabilidade do projeto é sustentada pela solidez fiscal paraibana e por um modelo de concessão que exige dos empreendedores contrapartidas rigorosas em sustentabilidade e qualificação de mão de obra

Além de ampliar a oferta de leitos hoteleiros, o polo foi desenhado para gerar milhares milhares de empregos diretos e indiretos, fortalecendo a cadeia produtiva regional desde o fornecimento de insumos básicos até serviços de tecnologia e gestão de eventos.

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