Festival cultural, salão de artesanato e agora, demarcação de terras
Festival cultural, salão de artesanato e agora, demarcação de terras

Festival cultural, salão de artesanato e agora, demarcação de terras

 Eventos –  14, janeiro, 2023

O cacique geral da nação Potiguara na Paraíba, Sandro Gomes Barbosa, segue nesta terça-feira (17) para Brasília, onde deverá participar de audiência com a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara. A ministra pedirá audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da demarcação de terras indígenas em várias regiões do país, incluindo, as Potiguara.

O Governo Lula vai demarcar 13 territórios indígenas que estão com toda a documentação homologada, informa o colunista Guilherme Amado, do Portal Metrópoles.

Cacique geral Sando, da Nação Potiguara / Foto: Zeca Wallach

Essas áreas ficam no Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Sul. No Nordeste, a maior delas é a área Potiguara de Monte-Mor, com 7.530 hectares, abrangendo terras nos municípios paraibanos de Marcação e Rio Tinto.

Essa demarcação vai representar uma das maiores vitórias do povo indígena paraibano, pela dimensão da área e da importância dos povos beneficiados.

As demais áreas são:

– Aldeia Velha (Pataxós), Porto Seguro (BA), com 1.997 hectares
– Kariri-Xocó, em São Brás, Porto Real do Colégio (AL), 4.694 hectares
– Xukuru-Kariri, em Palmeira dos Índios (AL), com 7.020 hectares
– Tremembé da Barra do Mundaú (indígenas Tremembés), em Itapipoca (CE), com 3.511 hectares
– Morro dos Cavalos (indígenas guaranis), em Palhoça (SC), com 1.983 hectares
– Rio dos Índios (Kaingang), em Vicente Dutra (RS), com 711.701 hectares
– Toldo Imbu (Kaingang), em Abelardo Luz (SC), com 1.960 hectares
– Cacique Fontoura (Karajá), em Luciara, São Félix do Araguaia (MT), com 32.304 hectares
– Arara do Rio Amônia (indígenas Araras), em Marechal Thaumaturgo (AC), com 20.534 hectares
– Rio Gregório (indígenas Katukinas), em Tarauacá (AC), com 187.120 hectares
– Uneiuxi (indígenas Makus e Tukanos), em Santa Isabel do Rio Negro (AM), com 551.983 hectares
– Acapuri de Cima (indígenas Kokamas), em Fonte Boa (AM), com 18.393 hectares

I Festival da Cultura Indígena, agosto de 2022, Rio Tinto-PB / Foto: Zeca Wallach
Ao lado do secretário Damião Ramos Cavalcanti (Cultura), o cacique Sandro abre oficialmente o I Festival da Cultura Indígena / Foto: Zeca Wallach

 

Povo Potiguara no foco

No dia 6 de agosto do ano passado, 32 aldeias Potiguara e duas aldeias Tabajara participaram do I Festival de Cultura Indígena, realizado pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura.

Por mais de dez horas, as danças, as encenações, rituais, o famoso toré, a gastronomia e o artesanato indígena produzido na Paraíba estiveram em exposição para o público que esteve no grande pátio ao ar livre do Palacete do Lundgren, uma casa de verão construída pela família alemã que se instalou em Rio Tinto no início do século passado.

Essa relíquia da arquitetura germânica está justamente nas terras de Monte-Mor, que agora serão demarcadas. A escolha para realizar o Festival Cultural lá foi do próprio povo indígena, antecipando aos brancos a importância do lugar para sua gente.

Governador João Azevedo recebe abraço do cacique potiguara Capitão, sob o olhar do cacique geral, Sandro (d) / Foto: Secom-PB

 

Na útima sexta-feira (13), o Governo da Paraíba abriu, na praia do Cabo Branco, em João Pessoa, as instalações do 35º Salão do Artesanato da Paraibano, que ficará aberto até 5 de fevereiro, com o tema ‘Artesanato Indígena’.

O artesanato indígena é a mais pura expressão da produção artesanal brasileira. Ele está presente em praticamente todas as etnias, já que os indígenas utilizam a habilidade para confeccionar utensílios e adornos.

A maioria dos produtos é elaborada com materiais retirados da própria natureza e que estejam em abundância na região. Cestaria, cerâmica, entalhe em madeira, montagem de bijuterias com sementes e penas são os mais produzidos a partir da técnica de trançados em fibra.

 

(José Carlos dos Anjos Wallach, com Secom-PB)