CLUBE DA HISTORIA EM O rapaz e o preconceito

CLUBE DA HISTORIA EM O rapaz e o preconceito

O rapaz e o preconceito
A cabine telefónica estava temporariamente fora de
serviço. Zangado, o rapaz deu um pontapé à porta e gostou
de ouvir o barulho que provocou. Chovia a cântaros e o
anoraque estava encharcado.
Voltou a montar na bicicleta e foi à procura da cabine
mais próxima. Estava alguém lá dentro. Assim que se
aproximou, viu que era um imigrante. Deu-lhe mais dois
minutos e depois bateu à porta.
O imigrante não fez menção de parar o seu
telefonema. Mas abriu um pouco a porta e fez sinal ao
rapaz para entrar.
O rapaz encostou a bicicleta à parede amarela, ao lado, e entrou. Não estava com
medo do imigrante. Eles, os imigrantes, é que deviam ter medo dele. Afinal, era um
ginasta de primeira classe e também sabia boxe. Além do mais, tinha um canivete. Não
era grande nem aguçado, mas o brilho atemorizava.
O rapaz não conseguia perceber em que língua o homem falava. Talvez turco,
talvez servo-croata ou…. O homem falava muito depressa. O rapaz estava admirado que
alguém conseguisse falar assim tão rápido, mas provavelmente só soava rápido aos
ouvidos dele.
O homem afastou o cabelo da testa do rapaz e estendeu-lhe um lenço que tirou de
dentro do casaco. O rapaz aceitou-o e secou a cara e as mãos.
O estrangeiro exalava um cheiro agradável.
Por acaso, não era essa a ideia que fazia dos emigrantes.


Elisabeth Alexander
Hans-Joachim Gelberg
Die Erde ist mein Haus
Weinheim, Belz Verlag, 1988
(Tradução e adaptação)

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