Num certo dia, na Fundação Casa de José Américo, onde exercia a presidência daquela instituição, procurou-me Sebastião Ferreira Filho, dizendo, de início, estar ali por duas razões: a primeira seria a de ter lido a minha crônica “Amigos ditos por provérbios”; a subsequente, ao ser para mim um desses amigos, é que admirava meu estilo de escrever, e por isso estaria ali para me convidar a prefaciar o seu livro Simples assim. A consistência do convite detalhou a nossa amizade e, sobretudo, a intensificação de decidir prefaciar sua tão bem escrita autobiografia.
Nossa amizade sempre se sobrepôs a estágios de interesses individuais e sem usar a máxima ou mínima corrente: “Melhor amigo na praça do que dinheiro na caixa”, comparando-se o amigo a um banco para eventual crédito ou a um banco, quando se estiver cansado, visão completamente utilitarista. Fazer o bem sem filtrar, sem pesar a ação da benéfica convivência, evitando o “toma lá, dá cá”, sob o dito “Uma mão lava a outra”. Não se trata um verdadeiro amigo como objeto do utilitarismo. O substrato do nosso relacionamento se baseava na admiração que nutríamos no empreendedorismo, ele dedicado a realizar o seu sonho de trazer e implantar, aqui na sua terra, a computação, que já iniciava sua expansão em centros maiores, sobretudo no Rio e em São Paulo.
Nos idos depois de 1973, Ferreira já usava no seu bolso o termo checklist
e tinha pressa no seu ambicioso desejo de implantar e divulgar a computação na sua terra. Depois de seus estudos na América do Norte, onde adquiriu experiência na Parker Davis, auferiu as potencialidades de mercado na sua terra, e quanto mais pensava, mais fortalecia a ideia de “montar uma empresa de computação em João Pessoa”, tendo sido essa a sua definitiva decisão. E assim, deixando de lado outros convites, ficou por aqui mesmo, montando “uma empresa de prestação de serviço em computação e organização administrativa orientada para informatização”. Um reconhecido pioneiro!
O destemido, desbravador, Ferreira foi à IBM, em Recife, e assegurou o maquinário e total apoio ao seu empreendimento. Estava assim iniciando e fortalecendo a computação na Paraíba, aprimorando a informática para também o benefício do serviço público, e até auxiliando as melhorias de estudo e as administrativas na Universidade Federal da Paraíba, com o interesse do reitorado de Lynaldo Cavalcanti, que o diga Mario Assad. Da modernidade dos arquivos, dos serviços administrativos até a eficiência institucional das folhas de pagamento, muito se deve ao conhecimento e às realizações de Sebastião Ferreira, que, embora à frente da sua empresa, nunca se negou a contribuir para a administração das instituições públicas, quando dele careciam, exemplo que se estendia até aos nossos estados vizinhos.
Por isso, intitulei assim o prefácio acima solicitado: “A simplicidade como lição de vida”. Simples é Sebastião Ferreira; Simples, sua renomada empresa que inaugurou, na Paraíba, a computação, então iniciada por ele na Saelpa e que se estendeu por toda a região, em instituições do porte da UFPB. Calmo, paciente, mas ao trabalho, um homem de ação e de muita coragem.
Nesse dia 27, de julho na Igreja de Lourdes, após sua Missa de 7º Dia, seus familiares e suas amizades falaram desses seus feitos e de outras lembranças da sua vida.
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