Com o passar das horas e dos minutos desse tempo que compõe a vida, por vezes tenho vontade de estar, ver e abraçar pessoas com quem estou, estive, convivo ou convivi. Pessoas que despertam saudades de tempos, momentos e histórias vividas, familiares ou não. Gostaria de contar e ouvir, compartilhar e aprender, para simplesmente dizer que, neste instante da minha vida, a sua vida é ou foi parte deste ser humano em constante construção.
Seria a correria da vida? O andar apressado dessa humanidade depois da pandemia? A velocidade do agora? Ou a facilidade da tecnologia, na qual preferimos o cumprimento da linguagem solitária do WhatsApp? Ver o outro online, um “oi”, um “tudo bem”, um “tmj”, já se transforma em comunicação, até mesmo familiar, enquanto se ocultam a escuta da voz, o som quase esquecido de uma risada ou o tremular de uma emoção que agora se camufla na foto perfeita e na resposta pronta do “tudo beleza”.
Talvez seja também a onda das gerações que já não se comunicam por olhares, vozes ou abraços, trocando tudo isso pela virtualidade de um aplicativo universal. Mas isso não acalanta a minha necessidade de te ouvir, sentir e ser ouvido. Não me remete à verdade do sentimento, mas ao afastamento do ser humano, que clama por atenção através de uma resposta online, sem voz, sem ouvidos e sem sentidos.
Se puder me abraçar, que seja hoje. Que me fale para que eu te escute. Que me olhe para que eu te veja. Que me sinta para que eu possa proclamar o amor e a vida.
Nenhuma janela de tela traduzirá a verdadeira essência de um abraço em comunhão com a nossa alma.
De um dia de domingo
14/06/2026
Carlos Marques Dunga Jr.