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Blog do Vavá da Luz

Os irmãos da Venezuela (Carlos Marques Dunga Jr.)

 

Nesse mundo em que os dias passam em ritmo acelerado, num continente vive-se o Mundial de Clubes de futebol; noutro, os festejos juninos; em outros, a guerra se impõe como um cabo de guerra pelo poder. E, em tantos cantos e recantos, convivem a fome, a miséria, o tráfico, o crime e o ódio político, confundindo a fé com as cores partidárias.

Há, agora, milhares de homens, mulheres, crianças e idosos, de diferentes cores, nacionalidades, raças e crenças, soterrados sob as próprias casas, seus lares, locais de trabalho, bares, supermercados e escolas. Eles, assim como eu e você, também tiveram sonhos e imaginaram o futuro. Também amavam cores e sabores, sorriam em boas conversas, defendiam ideias e acreditavam no amanhã.

Vejo que, para muitos, a vida continua como se nada estivesse acontecendo, como se ninguém ainda pudesse estar respirando sob o peso de uma viga de concreto, esperando apenas uma mão estendida que lhe devolva a esperança.

Cabe a mim fazer uma pausa. Um instante de silêncio. Uma oração, uma reflexão e uma prece, seja qual for o credo. Deixo que uma lágrima escorra, seja diante da emoção de um estádio de futebol lotado ou da alegria de um pátio de forró. Que ela se transforme em acalanto para quem sofre e em pranto universal revestido do mais puro amor fraterno. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sacrossanta seja a fé no pedido de paz para o coração dos homens e das mulheres do nosso tempo.

Não basta apenas dizer que somos filhos do mesmo Pai. É preciso também ser irmão das famílias de Caracas, La Guaira, Morón e de tantas outras cidades venezuelanas que hoje choram seus mortos, procuram seus desaparecidos e, entre os escombros, clamam por um gesto de esperança.

De um dia de domingo

Carlos Marques Dunga Jr.
28/06/2026

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