Homem comedido e, preocupado, apenas, em atender aos reclamos da sua consciência, Alvaro de Carvalho não agradou aos mais apaixonados seguidores do Presidente imolado. A Revolução estava sendo tramada ao seu redor, sem que ele tomasse conhecimento de nada. Gerou-se uma agressiva desconfiança contra seus atos. Foi censurado até por designar o tratamento de Excelência ao presidente da República, a quem se queria atribuir responsabilidade pela morte de João Pessoa. Considerado, injustamente, um traidor dos ideais defendidos pelo seu antecessor, teve que se afastar na Paraíba por alguns anos. Foi levar sua experiência de professor à juventude da cidade de Santos. Pobre a vida inteira, regressando ao Estado, conseguiu uma modesta moradia para a família através do antigo Montepio. Nessa casa da rua Artur Aquiles foram feitas as primeiras reuniões da Academia Paraibana de Letras.
Membros do Congresso Nacional registraram-lhe o perfil, nas homenagens tributadas por ocasião de sua morte, em 1952. O então deputado Samuel Duarte, encaminhando o requerimento de pesar, destacou: “Os acontecimentos de 30 o surpreenderam no exercício da Suprema Magistratura do Estado e ele se conduziu com tal espírito de tolerância, de elevação e de patriotismo que pode conquistar a admiração de seus próprios adversários”.
“No tumulto que caracterizou seu breve período de governo, conduziu-se o dr. Álvaro de Carvalho com inexcedível dignidade,deixando em nossa história política um alto exemplo de fidelidade aos deveres do seu partido e mais particularmente à liderança de Epitácio Pessoa”, registrou o deputado Osvaldo Trigueiro de Albuquerque Mello. Para o jornalista Assis Chateaubriand, à época senador, Álvaro de Carvalho “como mentor da juventude do Liceu Paraibano, como guia político dos seus concidadãos fazia questão de ser impecável, antes de tudo, com a sua consciência”.
Darei, afinal, a palavra, a esse grande paraibano de quem me ocupo hoje, para encerrar, neste espaço, sua pequena grande história: “Tres dias depois da Revolução, voltei ao Liceu e assumi o meu posto de professor.Deste modo,renunciei ao cargo que ocupava e à vida publica em que fui mal sucedido.Decididamente não tinha o estofo onde se talham os heróis”. ( Consultei Ademar Vidal, Osvaldo Trigueiro Mello e Álvaro de Carvalho em, “Nas Vésperas da Revolução”)