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Blog do Vavá da Luz

Negar seu “naturá” é renegar sua essência (Carlos Marques Dunga Jr.)

 

Na canção “Vaca Estrela e Boi Fubá”, o poeta Patativa do Assaré diz: “Não nego meu naturá”. Quando ouvi esse verso pela primeira vez, ainda nos anos 1980, interroguei-me, refleti e procurei compreender a grandeza dessa mensagem tão humana.

Os anos passaram e olhe que já são décadas , e pude perceber o quanto me fortaleci ao honrar minha história e revisitar meu passado. Não para permanecer nele, mas para ressignificar o presente, aprimorar meu rumo e reconhecer que “o caminho se faz entre o alvo e a seta”.

Nesse caminhar, passei a me ouvir e a me olhar com mais atenção. Entendi que eu era um ser que precisava muito de mim e dos meus próprios cuidados. Percebi que a autossabotagem me causava medo e que me esconder dentro de mim mesmo era algo muito fácil.

Diante de tudo isso, olhei profundamente nos meus próprios olhos. Senti como se um raio, acompanhado de um frio gélido, atravessasse meu corpo por inteiro, da cabeça à ponta dos pés. Depois das lágrimas, surgiu o sorriso de um homem que finalmente reconhecia a sua verdade.

Ser simplesmente eu e ter orgulho do que me tornei elevam-me como ser humano, aproximam-me de Deus e permitem que aqueles que amo também me amem por inteiro.

Como é grandioso e libertador atravessar as quatro estações da vida: sentir o frio do inverno, o renascimento da primavera, o calor do verão e as mudanças do outono, sem permitir que se afaste de mim aquilo que verdadeiramente sou.

Em outra canção, Pedro Abrunhosa diz:
“Em que homens negavam o que outros erguiam.”
Hoje, consciente de quem sou e em sintonia com minha jornada, reconheço-me como aprendiz e navegador dos ventos. Seguro o leme e singro os mares da minha própria vida.

Encontro nos princípios do bushidô o exercício da disciplina, da coragem e do respeito. Aprendo, assim, a viver em harmonia com a cadência das horas, compreendendo que cada passo exige firmeza, consciência e verdade.

Sou eu, porra!

Sou luz, amor e vida.
Sou criação de Deus.
Sou a minha história, a minha verdade e a minha essência.

De um dia de domingo
Carlos Marques Dunga Jr.
16/08/2026

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