Mário Silveira se reuniu com Xi Jiping
Durante a nossa composição simultânea na administração pública estadual, eu, na Presidência da Funesc e Mário Silveira como Secretário de Estado do Planejamento, houve um entendimento para a criação da Associação Brasil – China, conhecida como Câmara de Comércio e Indústria Brasil – China na Paraíba. Ele exercendo a Presidência Geral e eu, a Diretoria Cultural. Com muita dedicação, Mário disponibilizou sua antiga casa, número 1026, na Avenida Tabajara, para servir de sede a essa câmara. Ainda se verifica a existência da casa e, no quintal, em modelo chinês, espaço para reuniões, conferências, e aulas de mandarim ou chinês. As aulas eram ministradas por uma monja, que Mário e eu conhecemos, em uma comunidade budista, em Olinda.
A essas atividades, o Presidente Mário nos gratificou ao anunciar: Vamos a China, Zé Maranhão já nos deu o alvará… De pronto, esclareço que a viagem foi realizada sem custo para o erário, custeada com nossos próprios recursos ou emprestados, embora o compromisso fosse de evidente interesse público. E assim, começamos a planejar e a agir, conforme a finalidade da viagem. Precisávamos de um tradutor chinês, intelectual, conhecedor da nossa língua, capaz agendar as reuniões com acadêmicos, na linha de Liang Shuming; e também com autoridades governamentais e responsáveis por relações comerciais. Testemunham tal relato Luiz Ramos Cavalcanti e José Otávio Silveira, que viajaram conosco.
Nesse longo trajeto, repousamos em Roma e em Paris, de onde seguimos para Pequim. De lá, aproveitamos para conhecer as famosas esculturas do Exército de Terracota, em Xi’na, seguindo para Xangai e, finalmente, a grandiosa Hong Kong, de onde retornamos a São Paulo, com o pouso ocorrendo no exato momento da derrubada das Torres Gêmeas. A gigantesca população da China forma cidades imensas; não vimos algum vilarejo. De cidade à outra, em aviões luxuosos, observei passageiros “sem luxo”, vestidos com roupa do cotidiano, como fossem ao trabalho.
Quando avião pousou em Pequim, a aeromoça solicitou que os senhores Cavalcanti e Silveira comparecessem à porta da aeronave. No pé da escada, estava uma limusine preta, que nos levou a um hotel de 5 estrelas, onde, nos espaçosos quartos, as bagagens já nos esperavam. Percebia-se a deferência, com que nos receberam. Logo após o requintado almoço com técnicos responsáveis pelas comercializações Brasil – China, fomos convidados para o “Encontro Maior”: um chá com autoridade da hierarquia chinesa.
O salão era nobre e requintado. Havia seis poltronas no estilo chinês, com nossos respectivos nomes, destinadas à Comitiva, ao tradutor e a uma jornalista chinesa. Aconteceram 10 minutos de silêncio, então entrou e se sentou-se, na poltrona, oposta às nossas, a seis metros de distância, uma impressionante autoridade, de terno e gravata. Tinha cerca 1,80 m de altura, peso estimado entre 80 e 85 kg, porte robusto, pele de tom asiático própria da etnia Han, cabelo escuro, gestos solenes, com fala rara e pausada.
Não tínhamos celular, tampouco como esquecer a forte memória fotográfica, diante de tal comovente e histórico momento das nossas vidas: Estávamos nos reunindo com Xi Jinping, em Pequim, onde se encontrava naquela ocasião como pós-graduando e já influente membro da alta hierarquia do Partido, então exercendo o cargo de Governador da Província de Fujian. Deu a palavra a Mário que ofereceu pedras granito, abacaxi e açúcar, e Hi sabia detalhes da nossa produção. Citou a bitola do corte do corte da pedra; a cor esbranquiçada do abacaxi, e a pouca produção do açúcar: “Se agora, cada chinês chupar um bombom , acabar-se-ia o açúcar ofertado”.
Ele me garantiu contatos com a Embaixada da China, em Brasília, a nos apoiar em eventos culturais, o que cumpriu: filmes chineses, exposições de arte e costumes e ainda a vinda de pianistas à Funesc. Assim, Mário e eu nos reunimos com Xi Jinping, Presidente da China, líder de conhecida relevância mundial.
DESTAQUE: A gigantesca população da China forma cidades imensas, não vimos algum vilarejo.