Coisa rara, aqui e alhures, é político e candidato à função pública pelo voto adotar a práxis da ética ou a consciência dos nossos valores, de várias maneiras ao bem da coisa pública, como também respeitando as diferentes manifestações culturais. É o momento de examinar cada um deles, sobretudo analisando o que diz e o que relata seu histórico de vida, mesmo sendo ética é um termo, às vezes, em desuso e que incomoda. Somos nós que devemos assim agir.
Ao se falar de ética, precisamos bem defini-la. Em qualquer situação, há de se despertar a consciência dos nossos costumes (éthos) e especialmente dos nossos valores. Também curar qualquer miopia, comparando as diferentes opiniões, especialmente ampliando a visão para enxergar a injustificável ruptura da ética opinativa na política. Isso não possibilitaria nem mesmo a visão política do pensador florentino, Maquiavel, que teorizou a prática de qualquer meio, desde que tal instrumento se torne útil a se obter o desejado fim. Aceitar-se-ia então a máxima: “Os fins justificam os meios”. Ou seja, faça de tudo para conseguir o poder. Até trair amizades; desfazer a sã convivência, competindo para alcançar o poder.
Imaginemos se não houver ética para chegar ao poder, o golpe ocorreria por estratégias políticas ou pela força, contra a democracia, e pela força seria tolerado… A miséria moral da corrupção dos dias de hoje vem de séculos atrás, e se perpetua a imoralidade, na indiferença à moral, no esquecimento dos valores e dos consequentes fatos históricos.
Em latim, fake news é mendacium, mentira; ação da insinceridade, que me retifiquem os que sabem conceituá-la. Atualmente, um instrumento, que não se separa das nossas mãos, é o celular. E por ele, se contradiz a eticidade em quem acata e divulga fake news, sobretudo o mau-caráter que inventa tal mentira. O mentiroso (mendax), já na antiga Roma, era considerado enganador, fingidor, nas palavras de Cícero, em De Oratoria 2,51, um falso e carente de sinceridade: O mentiroso é aquele que não é sincero. De modo que, agora, momento das eleições, político, que desejar ser visto como não mentiroso, demonstre que é sincero.
Quanto ao poder, no curso de Direito, constatei que, em todos os crimes, há sempre como um ou mais dos seguintes fatores: o sexo; a luxúria quando se efetua a famosa auri sacra fames, e o poder, pelo qual a política pratica até assassinatos de pretendentes ao poder e também daqueles que pretendem exercitá-lo. E, para proteger-se, mantendo-se no poder, um dos meios é a mentira.
Convém relembrar Padre Antônio Vieira, no Sermão da Quinta Dominga de Quaresma: “A verdade é filha legítima da justiça (…), porque a justiça dá a cada um o que é seu. E isto é o que faz e o que diz a verdade sincera, ao contrário da mentira (insinceridade). A mentira, ou vos tira o que tendes, ou vos dá o que não tendes; ou vos rouba, ou vos condena”. Contudo, em raras ocasiões, ela é licenciada para atuar como um veneno-remédio por quem tem autoridade ética de usá-la (Platão, Rep., III). Porém, a mentira política, propagada para ganhos políticos, é nocente à inocente comunidade social. Não acredite em presente dos deuses, como o Cavalo de Tróia, que, acreditado, dizimou os troianos. E as tentações, à busca do poder, são irresistíveis; sua correção será seu voto.
Os mentirosos são uma desgraça na política. O Talmude, sobre aqueles que possuem o talento da palavra, adverte que a mentira é a mais danosa forma de roubo: “Existem sete classes de ladrões e a primeira é a daqueles que roubam a mente dos seus semelhantes, através de palavras mentirosas (…)”. A ética, portanto, nos orienta a deveres, tanto como candidato quanto como eleitor.
DESTAQUE: O Talmude, sobre aqueles que possuem o talento da palavra, adverte que a mentira é a mais danosa forma de roubo