Os americanos conquistaram o Oeste e suas terras desabitadas por organizadas corridas com cavalos, charretes, carroças, diligências e até a pé, dando-lhes direito de posse a quem chegasse primeiro e ocupasse, construindo ali o seu rancho e um pequeno curral. Houve incialmente conflitos, sobretudo ao se dirimir quem chegou primeiro ou quando se tratava de território indígena. Mas, após terras e minas ocupadas, costume vinha do sangue, surgiam os “trumps da vida”, acompanhados de capangas, com cara e fama de “fora da lei”, sob proteção do xerife, alegando que aquelas terras pertenciam aos seus latifúndios, contudo as compraria, dando prazo para a desocupação. O que passaria a ser ameaça, acompanhada de incêndios, mortes e assassinatos. A força e a violência eram o código de quem fosse o mais forte… Vi, como o caro leitor, muitos filmes de faroeste sobre esse assunto e fatos verdadeiros. Belas eram as resistências, também vitoriosas, ou resiliência em defender o que era seu, a estilo do filme Shane ou Sete homens e um destino, inspirado em Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa.
Atualmente, elegeram a reencarnação daqueles então trumps, que, achando-se dono do hemisfério, pode entrar em qualquer país ou se apossar conforme determinar a sua ganância, auxiliada por armas e naves. Alega razões morais, defensivas, que devem ser feitas antes de algum aventureiro inimigo… Contudo, como está sendo na Venezuela, a verdadeira motivação não é de ordem moral, mas tão somente de cobiça econômica e financeira, de se apossar das riquezas naturais, como o petróleo, as terras raras et cetera. Como justificar esses sequestros e essas invasões quando, em palavras e ações, tudo acontece e consequentemente como maior finalidade, a de tornar o invasor, USA, “stark again”? Porém, cuidado, o no sense dispensa equilíbrio, discernimento e responsabilidades políticas… Sobretudo quando está no sangue tomar o alheio e age sob alegações completamente inconsistentes e sem sentido.
O temor se sobressai na semelhança dos fatos e das ações. A II Guerra começou com litígios com países da Europa, tendo o insensato decidido invadir e anexar países europeus, como se houvesse na cabeça hitleriana intenções hegemônicas: Deutschland über alles, o que não aconteceu. E agora, retornam as disputas com a Europa, até contra a maioria dos que fazem a OTAN, que já estão levando unidades militares para o pretenso campo da “ilha cobiçada”. Há perigo bélico? Hoje, comprando peixe no Mercado de Cabedelo, ouvi da boca de um pescador: “O homem é doido, daquele beiço de menino com raiva, tudo é possível”.
O simples homem, que vendia peixe, levou-me a recordar a minha infância e as brigas com os meninos que só queriam levar para suas casas o brinquedo que eles queriam, caprichosamente o meu… O mundo já está com suas terras divididas, bem mais do que a situação do velho Oeste. Mas, Trump quer a Groenlândia, bateu o pé e disse que poderia comprar , mas tem de ser a Groenlândia. Porém, os países europeus recusam: A Groenlândia, não, já pertence à Dinamarca e assim já, há tempo, está mapeada para o bem dos que nela habitam.
Como Trump tudo cobiça, também quer o Prêmio Nobel da Paz e traduza para isso o Si vis pacem para bellum, como um conselho para demonstrar que ao preparar a guerra está ardentemente apenas querendo a paz. Isso seria milagrosamente uma pérola sair da sua Caixa de Pandora…
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