Sempre que escuto essa música, em especial na interpretação de Maria Bethânia, em 1982, remeto-me aos desafios do tempo, ao reverso da vida, à resistência e ao fortalecimento da caminhada, a uma conversa minha com a minha alma. Quantos e como são os momentos em que paramos para arrochar o chocalho no pescoço que definha da vaca magra. Como seria mais fácil simplesmente abandoná-la até a morte, jogá-la do penhasco. Mas esse danado ser humano do Cariri é lá onde mora a resistência, e ressuscita em resiliência, o poder da ressignificação em vitória do bem. Toda travessia merece ser marcada pelas calmarias e tormentas. Na aridez dos tempos, dos homens, da ganância, da maldade perversa que tenta aniquilar o próprio homem e o seu caminhar, existe o sobrevivente que não é, e nunca será, o que subirá no último pau de arara. Ao contrário, constrói o dia bom, o dia bem; deixa escorrer a lágrima e a enxuga no sorriso largo dos que amam a vida. Que Deus me livre sempre da maldade alheia e do dia ruim, pois eu vou ficando por cá, na minha terra, respeite o meu natural. Minha história tem a alegria e o penar, mas, enquanto eu tiver Deus, o ar e o amor, eu não deixo o meu Cariri de jeito nenhum.
De um dia de domingo
Carlos Marques Dunga Jr
08/02/2026
*