Ou a única coisa é a vida, exatamente, coisa de todos ou a vida de cada um. Sem vida, nada seríamos, nada saberíamos. Daí, viver se não for a melhor coisa que há, ao existir, é a única coisa. Foi essa vida que iniciei em Pilar, onde estive todo sábado passado, dia 27, para participar do casamento do irmão Lula e Silvinha, e também festejar com Os Amigos de Pilar, assim se chamou o encontro da família do meu pai, há meses, organizado por J. Beja e sobretudo pela competente prima Carminha Ramos Cavalcanti, que arrastou parentes de São Paulo, Salvador, Fortaleza, Recife, Santa Catarina, João Pessoa e Campina Grande, cerca de duas centenas de pessoas para o enorme salão de festa da Chácara Andrade, bem adequada às homenagens, com discursos e estatuetas lavradas pelo pilarense Zaia, prestadas a mim, José Augusto de Brito e ao seu filho Augusto Flávio, todos alegrados por forró e samba… Sensibilizado pela companhia dos meus irmãos Ivan, Marcelo, Marilene, Marilurdes e Mariluce, e a querida Maria Luiza, lá fomos, festejamos e vivemos, além da companhia das amizades de Pilar, como a do amigo de infância Frutuoso Chaves, que também foi homenageado. Só não foi coisa única porque merece ser desejada e repetida, como tudo vivo que brota da família e do amor.
É verdade que os momentos vividos não são únicos. A felicidade de cada um deles não é passá-los segundo o nosso desejo, mas aproveitá-los nas circunstâncias comandadas pelo carpe diem. Façamos a lista das coisas que temos e das que não temos, e então por que perder os dias da nossa vida? Indiscutível que virá o dia do fim desse espichado caminho que é a vida, e para sempre. Mesmo que não seja objeto do nosso desejo… É universal saber que acabaremos ao morrer, talvez em lugares diferentes dos de onde nascemos. Porém, não viver mais pode se pensar, menos os mortos que não vivem, não pensam e tampouco morrem. Contudo, a coisa principal e única é a vida, então, vivamos, evitando as coisas indesejáveis das quais os mortos não mais sofrerão, como o padecer, o adoecer, ou até as responsabilidades a que somos obrigados, por vivermos juntos aos outros. Há quem recorra ao radical remédio de deixar-se morrer ou matar-se, mas torna-se uma fatalidade negativa que a vida não beneficia. Existe interminável lista de coisas que os mortos não podem fazer, apenas podem aqueles que vivem.
Mesmo respeitando os suicidas ou os que não valorizam a vida, conscientizamos que não podemos nascer outra vez, o que unicamente aconteceu comigo em Pilar e com os pilarenses, isto é, eu ser eu mesmo, duas vezes, a mesma vida, uma após a outra. Ou ser um bicho pior, irracional, do que os humanos que estamos sendo. Por isso, a única coisa é não viver para morrer, mas viver. Se o mundo não se tolera, mas ele é o que existe. Ou seja, estar aqui, agora, escrevendo ou o caro leitor lendo, enquanto vivemos, procurando ser felizes, alegres ou amar. Se não, cada vez mais, esperar o tempo da felicidade ou sentir saudade da felicidade que passou.
A vida está a acontecer, mas já sinto saudade de todos os momentos e circunstâncias felizes que já vivemos, tudo isso num todo: na vida, que é coisa única…