Análise: as diferenças entre Cícero e Nilvan e o equívoco de anular o voto ou se omitir das urnas

Análise: as diferenças entre Cícero e Nilvan e o equívoco de anular o voto ou se omitir das urnas

Os dois candidatos que disputam no segundo turno da eleição municipal a Prefeitura de João Pessoa concentram todos os seus esforços na busca de apoios dos derrotados no primeiro turno e respectivos partidos. Nilvan Ferreira (MDB) e Cícero Lucena (PP) precisam mesmo é combinar com os eleitores.

Está claro que nesta eleição, atípica sob todos os aspectos, o eleitorado está indo à urna mais para externar seus desejos, preferências e aspirações do que propriamente ceder ao jugo dos caciques, velhas raposas e lideranças em geral.

Ultrapassado

Pelo menos nesta eleição, nada soa mais ultrapassado e até cômico do que algumas figuras, sobretudo os derrotados no primeiro turno, darem declarações dizendo que liberaram seus eleitores para votar em quem quiser. Parece até que estas criaturas fracassadas nas urnas são donos dos votos ou controlam os eleitores sob seus jugos.
A suposta influência (ou o ilusório domínio) dessas lideranças sobre os eleitores, mesmo que fosse uma verdade, tende a não prevalecer nessa nova etapa da eleição graças às flagrantes contradições.

Nulos e brancos

Neste segundo turno, toma corpo especialmente no segmento do eleitorado mais progressista a ideia de que entre Cícero Lucena e Nilvan Ferreira o melhor será votar nulo ou em branco. Outros sugerem até não comparecer às urnas e justificar o voto.
Ledo engano. Omitir-se de fazer escolha denota um desapreço à sua cidade e um pensamento idiota de quem imagina que, não sendo o seu candidato a ser escolhido e eleito, nada tem solução.

Nesta disputa pela sucessão do prefeito Luciano Cartaxo, temos dois projetos concorrendo: de um lado o experiente e tarimbado Cícero Lucena, cujos dois mandatos de prefeito em épocas passadas são dignos de registro.

Cícero teve as suas falhas, mas deixou marcas muito positivas ao administrar João Pessoa. Por exemplo: apagar a mancha deprimente do Lixão do Róger, palco de uma miséria em que crianças e urubus disputavam no lixo restos de comida deteriorada.
No campo da educação, sob a batuta do ex-reitor da UFPB, Neroaldo Pontes, a ensino básico teve significativos avanços antecipando-se em alguns anos os índices pré-estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Base da Educação. Sem falar na possibilidade que jovens pessoenses tiveram de compor a Escola do mundialmente famoso Ballet Bolshoi.

O outro lado

Concorrendo com o projeto de Cícero Lucena está o de Nilvan Ferreira. Comunicador de grande destaque na radiofonia no Estado da Paraíba, destemido e dado aos desafios, ele surgiu no cenário da política do nada e se transformou num fenômeno. Falta-lhe, porém, o que mais João Pessoa precisa, sobretudo depois dos efeitos devastadores de uma pandemia que vai completar um ano: experiência comprovada em administrar qualquer coisa.

Nilvan pode dar certo como prefeito de João Pessoa? Pode, é claro. Mas aí é uma incógnita. Elegê-lo prefeito da Capital seria apostar no incerto.
Aos eleitores de pensamento alinhado com as esquerdas, por exemplo, eleger Nilvan Ferreira seria fortalecer o bolsonarismo em João Pessoa. Como todos nós sabemos, Nilvan cresceu muito na política defendendo com unhas e dentes os ideais do “mito” Jair Bolsonaro e chicoteando sem piedade nos microfones de rádio a gestão do ex-governador Ricardo Coutinho.

Por Wellington Farias