A sinceridade do olhar da pessoa mais simples
Por vezes, estive cercado de pessoas que não olhavam nos meus olhos. Eram conversas que se apresentavam como diálogo, mas permaneciam frias: nelas, prevalecia sempre a vontade de quem falava. Muitas vezes, eu sabia que daquele encontro pouco me restaria, além da sensação de uma inveja soberba, capaz de tornar árido o convívio.
Nas travessias da vida, parar, olhar nos olhos e ouvir de verdade nem sempre é regra. Vivemos tempos em que dialogamos com a inteligência artificial, mas nem sempre com quem está ao nosso lado. Também transitamos por conversas digitais feitas de frases curtas e poucas palavras, às quais muitas vezes atribuímos sentimentos de amor e carinho.
Ainda assim, aprendi a parar e perceber o olhar da pessoa mais simples, aquela que não precisa de posses, poses, títulos ou palavras difíceis para demonstrar o que sente. Há ali admiração, carinho, um gostar sem disfarces. Um olhar que faz bem, enche a alma e dá sentido à vida.
É um olhar que reflete Deus, em sintonia com o meu eu. Um olhar que sorri e diz muito sem precisar de palavra alguma.
Esse olhar é, verdadeiramente, um encontro com o olhar de Deus.
De um dia de Domingo
25 de outubro de 2026
Carlos Marques Dunga Jr.