
Eita! Há uns três ou quatro anos, em passagem pela casa-grande da Fazenda Ipueira, em Paulista/PB, registrei uma imagem que conversou com Deus e banhou minha alma.
A lembrança das refeições à mesa, na sala onde está essa porta ou portal? me leva àquele tempo. E me pergunto: quantos e quantas sentaram ali, sonharam, riram, choraram, comungaram e, hoje, nem visitam a porta nem percebem o portal?
Essa é a natureza e a dureza dos dias de hoje, desse mundo que distancia pessoas em troca de uma mensagem em siglas de WhatsApp, que não se sentam mais à mesa para um café e nem ao menos se olham nos olhos.
Diante do portal, que me remete à imensidão da contemplação do universo, vejo Deus em comunhão com tudo o que se passou naquele sertão. Vejo e ouço as vozes, os cantos, as risadas, os passos, os cheiros vindos da cozinha de minha vó: o alfenim esticado desmanchado da rapadura doce. Ainda sinto o cheiro do café feito por meu avô, de madrugada, que invadia os recantos da casa, convidando a todos para um bom dia. E, para meus olhos escorrerem lágrimas de saudade, lembro o berro da vaca Mariposa no curral, sinalizando a hora da tirada do leite.
Parado diante dessa imagem, queria ver a casa cheia. Mas, naquele instante, só restamos eu e Deus. Em Sua presença, fortaleço-me com a lembrança de que nós, juntos, somos retratos de vida.
Vem, Sertão de minha vida, fortalece-me e leva-me diante dos meus dias. Conduz-me em sonhos de dias bons e fortalece-me diante dos passos de uma caminhada.
O portal reflete o amor, a paz e o retrato da vida.
Só os fortes abrem o portal.
De um dia de domingo
Carlos Marques Dunga Jr.
11/10/2026