A maior decepção é escutar de alguém, por quem você nutre certa admiração, afirmações de egoísmo e mesquinhez; praticamente anula-se parte do respeito. Imagine ouvir de quem já cresceu parte da vida não dar importância ao meio ambiente, tampouco proteção à natureza, porque quando houver desequilíbrios escatológicos ele já terá morrido, “são séculos depois de mim”… Perguntei, na esperança de um conserto: “E os seus, por exemplo, familiares?” Num gesto de desdém, finalizou: “Eles que se cuidem…”. Isso espelha a degradação do sentido da vida, quando está por um fio o sentimento do humano. Não há outra explicação da existência de tanta violência e mortes, de genocídio e bombardeios, tirando a vida de centenas e centenas de crianças e jovens. Tais fatos, a cada noticiário, aviltam o restante dos nossos valores. Ou degradação é o seu nome…
Nesse contexto, tenho pena do Papa, convidando-nos a um mundo de paz. Como sensibilizar ou falar de paz àqueles que, rindo e com muito poder, prometem que logo continuarão a lançar bombas sobre a cidade, destruindo casas, apartamentos, escolas, praças e hospitais? E nos noticiários seguintes, anuncia-se talvez adiar outras nefastas decisões ou dividi-las em estratégicas escaladas, como se existisse mais controle e domínio sobre como matar do que como viver. São sementes de uma possível hecatombe, cujo dia seguinte deixa um vazio, sobretudo de interrogações. A quem interrogar? Somente a transformação de uma consciência coletiva, com poder de escolher quem poderá, de sã consciência, tomar essas decisões e destinos, evitará males maiores. Contudo, há esperança que ocorra evolução, como predizia Teillard de Chardin o aperfeiçoamento da nossa consciência, na sua teoria, como uma síntese pioneira da humanidade, uma cosmogênese, guiada pelo divino…
Quando se fala na maior violência, trata-se da hecatombe nuclear, cujas demonstrações já foram vistas, parcialmente e menos de 7%, em Hiroshima e Nagasaki, sob as ordens frias de apenas apertar um botão… E hoje, aqui e acolá, escuta-se falar sobre “guerra nuclear”, como se fosse apenas uma “morte anunciada”. Ora, não se trata apenas da morte, da minha e da sua morte, mas coletivamente da nossa morte, ou da morte da espécie, ou da extinção da humanidade na Terra… Profetizaram que, um dia, nossa espécie, de um modo ou de outro, seria extinta. Por fogo? Por água? Mas, se por explosões nucleares, será pela mão humana. Cogita-se assim na literatura da exterminação. Não se trataria do suicídio da humanidade, porque essa consequência resultaria apenas das cabeças de três ou cinco tresloucados. E a extinção da espécie humana se referiria ao fim permanente do Homo sapiens na Terra.
Enfim, como conviver ou não com armas nucleares? Sinto forte abjeção às armas, o que instrumentaliza e incentiva a violência. Contudo, perdura o princípio do si vis pacem para bellum. Ou se populariza a interpretação do medo ou do temor entre as partes. Ou quem se arma se defende ao causar temor; quem não tem a arma nuclear não é temido… Nesse sentido, convém que todos a tenham?
A bomba atômica é impensável como instrumento de paz, porque o humano não pode prezar o pensamento de que o início da sua ideia seja exatamente uma ameaça ou a possibilidade do seu fim. Nesse aspecto, o uso ou não da arma, enquanto protesto antinuclear, fundamenta-se muito mais em valores éticos e religiosos do que político-militar. Tudo prevendo que o “fim do mundo”, causado por uma catástrofe nuclear, não nos concederia tempo para pensar, seria o fim de tudo entre 1 e três minutos…