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Blog do Vavá da Luz

Oliveira de Panelas: uma vida que encontrou na cantoria sua própria voz

Oliveira de Panelas: uma vida que encontrou na cantoria sua própria voz

Antes de ser conhecido como o “Pavarotti dos Sertões”, Oliveira de Panelas era um menino atento aos versos e às cantorias que faziam parte da vida de sua família. Nascido Oliveira Francisco de Melo, em 24 de maio de 1946, no Sítio Contador, em Panelas, no Agreste pernambucano, ele descobriu cedo que a poesia podia ser mais do que palavra: podia ser trabalho, encontro e caminho.

O pai, Antônio Francisco de Melo Filho, gostava de cantoria e foi uma de suas primeiras referências. Ainda criança, Oliveira se aproximou da tradição oral e aprendeu com poetas como Zé Rufino. Aos 12 anos, fez sua primeira apresentação pública; aos 14, já se dedicava profissionalmente à arte. A viola e o improviso passaram a acompanhá-lo por uma trajetória que atravessaria gerações.

Sua voz potente e afinada ajudou a torná-lo uma figura singular entre os repentistas. Mas não era apenas o alcance vocal que chamava atenção. Oliveira levou para os versos assuntos do cotidiano, questões sociais, humor e romantismo — temas que mantiveram viva uma tradição antiga sem deixá-la parada no tempo. No repente, cada desafio exige escuta, agilidade e presença: o verso nasce ali, diante do público, e não pode ser desdito.

Ao longo da carreira, ganhou projeção nacional, participou do Fantástico, em 1974, e teve trabalhos associados a produções cinematográficas. Gravou discos, publicou livros e percorreu palcos e festivais. Entre os reconhecimentos mencionados em sua trajetória estão a vitória no campeonato brasileiro de repentistas, em 1997, e no 1º Desafio Nordestino, em 2001. Também integrou a Academia de Letras e Artes do Nordeste e presidiu a Associação de Cantadores e Poetas Repentistas.

Embora tenha nascido em Pernambuco, foi na Paraíba que construiu parte importante de sua vida e carreira. João Pessoa tornou-se seu lar, e sua contribuição à cultura nordestina foi reconhecida com títulos de cidadania pessoense e campinense, além do título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Paraíba.

A história de Oliveira de Panelas é também a história de uma arte que depende da memória, da comunidade e da capacidade de criar no instante. Cada cantoria reúne quem canta e quem escuta numa experiência irrepetível: o verso surge, encontra seu público e passa adiante. É assim que uma tradição segue viva — não como lembrança distante, mas como voz presente.

Hélio Costa.

 

Daudeth e Oliveira de Panelas na senzala de vava da Luz

 

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