O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dedicou grande parte de sua estratégia presencial às ruas das capitais em que havia saído derrotado em 2022, mas teve desempenho aquém do esperado. A tentativa de recuperar terreno nesses centros urbanos acabou ampliando a diferença para a oposição, evidenciando a necessidade de reforçar o discurso digital para alcançar eleitores jovens e conectados.
Quase metade das agendas de rua do primeiro turno foi concentrada em seis capitais onde Lula foi superado por Jair Bolsonaro em 2022: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Brasília e Maceió. Mesmo com esforço intenso, o petista não conseguiu reverter o cenário adverso nessas praças eleitorais.
No balanço final do primeiro turno, Lula alcançou 45,16% dos votos válidos nessas capitais, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03%, elevando em 457.542 votos a diferença em favor dos bolsonaristas. Ao considerar as 21 cidades visitadas (incluindo 14 capitais), o presidente registrou 50,8% e ficou 356 mil votos à frente de Flávio. Fora desse circuito de visitas, perdeu por 2,58 milhões, totalizando um déficit nacional de 2,23 milhões construído sobretudo no interior e em municípios de médio porte.
Nesta sexta-feira (09), Lula voltou a percorrer as ruas em uma carreata por Ceilândia, no Distrito Federal, ao lado do candidato petista ao governo local, Leandro Grass, e da primeira-dama Janja. Sob sol forte, ele brincou que está se tornando “rei da selfie” e “internauta”, ao mesmo tempo em que prometeu virar o jogo no segundo turno, marcado para o dia 25.
Para incrementar a presença online, a campanha incorporou influenciadores digitais. Destaque para a deputada Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos — a parlamentar mais jovem eleita no País e recordista em votos para a Câmara em Minas, com 524.219 sufrágios. Com cerca de 2 milhões de seguidores, ela defende um formato de comunicação que privilegie vídeos curtos em Reels e TikTok, além de debates diretos com Flávio, explorando seu histórico político.
O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), sugeriu ampliar o diálogo com torcidas de futebol sobre apostas online, enquanto o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), assume a coordenação da comunicação junto ao ministro Sidônio Palmeira. A ideia é aprimorar a narrativa digital e neutralizar a vantagem bolsonarista nas redes.
Apesar da mobilização em seis estados onde perdeu votos nas capitais, Lula não terá palanques robustos nessas regiões: candidatos de oposição venceram em primeiro turno no Paraná, Alagoas, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro, e em Brasília, Leandro Grass avançou ao segundo turno. No Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) deve ser confirmado vencedor após retotalização dos votos válidos pelo TRE-RJ. Essas seis capitais receberam 11 das 28 agendas de rua, mas os três maiores colégios eleitorais (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro) geraram apenas 55 mil votos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro.