
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
A DESERÇÃO NA CAMPANHA DE CÍCERO LUCENA REFORÇA PERSPECTIVAS DE VITÓRIA DE LUCAS NO PRIMEIRO TURNO
Publicado em 17 de setembro de 2026
Apesar dos “tracking” (pesquisas realizadas para consumo interno) ainda apontarem probabilidades da realização de um segundo turno na Paraíba, suas variantes esbarram em obstáculos que se vinculam diretamente à percepção do eleitor – já em plena mobilização e formando tendências – reduzindo a cada dia o número de votos indecisos, nulos e brancos.
As oposições, divididas entre Efraim Morais (PL) e Cícero Lucena (MDB), têm como meta alcançar o percentual de 50%+1 dos votos válidos. Empreitada que demanda em crescimento constante, tirando votos da situação (governo), que vem voando em céu de brigadeiro. Conversando ontem (16/09/2026) com o jornalista Padre Albeni – que transita com facilidade nos três núcleos das campanhas na Capital – procuramos nos informar sobre o quadro no maior colégio eleitoral do Estado (João Pessoa) e região metropolitana, que envolve Santa Rita, Bayeux, Cabedelo e Conde.
Segundo seu relato (não opinião) a campanha de Cícero Lucena desapareceu em João Pessoa. Avenidas, ruas, esquinas e bairros, locais que há dois anos (reeleição municipal) eram ocupados por grandes equipes com bandeiras, distribuindo santinhos e adesivando veículos, estão desertos. O visual é muito importante e chama atenção do transeunte. Sugere superioridade do candidato, empolga os decididos, e provoca acabrunhamento nas tropas voluntárias da oposição, que enxergam nesses sinais desânimo do candidato, que espera ser derrotado.
A campanha de Efraim Morais está atrelada à corrida presidencial. A direita conservadora e o bolsonarismo vem crescendo em ritmo acelerado, dentro das Igrejas, nas famílias; surpreendentemente nos beneficiários dos programas do governo (Bolsas), e com ênfase no setor produtivo, que resolveu se engajar no pleito. No segundo turno em 2022 Bolsonaro obteve 33,38% dos votos válidos, correspondentes a 802.502 sufrágios. Lula “estourou” com 1.601.953. O curioso foi o PT e esquerdas obterem o dobro dos votos e não conseguirem eleger um senador da República. João Azevedo viu sua indicada ser ignorada por quase meio milhão de votos dos eleitores de Lula.
Cicero Lucena carece de uma estratégia urgente, que surta efeito imediato – e em apenas 17 dias – capaz de pelo menos estancar a sangria na queda de sua popularidade, fruto do abandono das lideranças estaduais que puxam votos nos 222 municípios (exceto João Pessoa). O desmoronamento da campanha de Cícero atinge as pretensões de Efraim chegar ao segundo turno. Lucas Ribeiro, distanciando-se de Lula, vem pescando votos de Efraim e Cícero no segmento evangélico, conservador e em Campina Grande. Como martelo só enxerga pregos, Lucas não está preocupado nem envolvido com a campanha presidencial. Busca apenas conquistar seu voto.
Cícero tem em seu palanque o senador Veneziano Vital do Rêgo, que se escora no Lulismo, dividido entre ele, Ricardo Coutinho e o Diretório Estadual, que apoia Lucas. Por outro lado, a incoerência – rememorada neste período – mostra Cícero, um ex-tucano, adversário ferrenho do PT. O povo pode ter memória curta, a Internet não. Ninguém sabe quem é o candidato a presidente de Cícero Lucena. Esta indefinição, para o eleitor independente – crítico de posições pusilânimes e oportunismo, práticas da velha política – fica desorientado. Como reagirão os seguidores de Cícero, que estiveram ao seu lado motivados pelo antipetismo? Irão segui-los ou absterem-se?
Lucas Ribeiro, contando com três grandes máquinas – o Governo do Estado, a Câmara dos Deputados e a ALPB – ainda pegando carona no Governo Federal – percorre todo o Estado e onde chega é recebido com festa. Cícero limitado ao “fundão eleitoral” mal consegue andar em João Pessoa. Em qualquer município, encravado nos mais distantes grotões do Estado, Lucas é recebido por, no mínimo, dez lideranças. Cícero tem dificuldade de encontrar uma casa que lhe ofereça um copo de água. Efraim tem o acolhimento da direita radical. Um pastor evangélico, um vereador ou suplente da oposição, e o “centrão” representado pelo bolsonarismo avulso.
Como a campanha presidencial caminha para um desfecho no primeiro turno, percebido até pelo Instituto Quaest (Pesquisador do Sistema Globo) após constatar que Flávio Bolsonaro abriu uma vantagem de 16% sobre Lula na região Sudeste, que representa 42% do eleitorado brasileiro, vencendo hoje em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, Cícero Lucena terá que voltar a crescer ou parar de cair. Num eventual segundo turno na Paraíba Efraim Morais terá em seu palanque um presidente eleito. Fato que muda totalmente a fotografia do momento e pode levar Lucas a uma derrota.
