ENTRE CHEIROS E SABORES DOS DIAS DE HOJE
Deixei-me levar pela curiosidade diante das transformações que percebo nos dias de hoje. Passei, então, a observar com mais atenção os cheiros e os sabores deste mundo em constante mudança.
Percebi que muitos alimentos encontrados nas prateleiras dos supermercados já não são os mesmos. Mudaram as fórmulas, os ingredientes e os modos de produção. Com isso, mudaram também os cheiros e os sabores.
Até o sal e o açúcar, ao meu paladar, já não parecem os mesmos de antes. Talvez tenham mudado suas fórmulas, talvez tenhamos mudado nós. O fato é que o salgado parece mais insosso e o doce, por vezes, deixa um gosto amargo.
Mudou o cheiro dos temperos, tantas vezes substituídos por extratos. Mudou o sabor do pastel, que, frito em novos tipos de óleo, já não guarda o gosto de antigamente. Mudaram o cheiro e o sabor do bolo feito em casa, porque até a manteiga já não parece a mesma.
E mudou também o nosso queijo de coalho aquele lá de nós. Com as mudanças na matéria-prima, fomos perdendo o cheiro que se espalhava quando ele assava e o sabor inesquecível daquela raspa tostada.
Em meio a tantas mudanças, me resta, porém, um cheiro e um sabor que ninguém consegue alterar: os do amor.
O amor tem perfume inconfundível e sabor insubstituível. Quando seu cheiro nos alcança, a pele arrepia; quando provamos seu sabor, a lágrima e o riso se fazem companhia.
Esse é o amor de Deus.
Por mais que o ser humano tente modificar, incompreender, vender, usar para iludir ou até desconstruir o amor, sua essência permanece intacta. Cabe a cada um de nós mantê-la viva em nossos gestos.
Podem mudar as fórmulas, os ingredientes e os sabores, o amor jamais perderá sua essência.
Porque amar é viver aquilo que Ele nos ensinou:
“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.”
(João 13,34)
De um dia de domingo
Carlos Marques Dunga Jr.
06 de setembro de l2026