Com a proximidade do dia 7 de Setembro, nossos cavalos já seguem o caminho, aonde estão as margens do riacho do Ipiranga. Já temos a nossa Bandeira, sem precisar ter alguma outra alienígena. Naqueles dias, lançaram-se fora os laços com as cores portuguesas; hoje, ponha-se fora tudo que der ideia ou simbolizar interferência na nossa independência, na nossa soberania. Dignificar esse dia, saber cantar o nosso Hino, o da Independência e o da Bandeira, como também desenhá-la, aprendi, menino, no Grupo Escolar Dr. José Maria (1954), instituído pelo Decreto Estadual nº 795, de 1º de abril de 1937, tendo o seu prédio próprio concluído por volta de 1936. Naquela época e durante a década de 1950, a instituição funcionava como o centro educacional de ensino primário mais importante da cidade de Pilar. Ainda hoje lá está preservado, ao lado direito de quem se posta, na Praça, em frente da Igreja Matriz, cuja padroeira é Nossa Senhora do Pilar, que motivava a maior festa da cidade.
Nos preparativos dessa festa, que durava a semana, apareciam vários sinais de que no mundo havia progresso. Dois ou três vendedores de bolas de festa eram novidade, com seus cilindros de gás, que davam às nossas bolas disposição de escaparem das nossas mãos e voarem, até desaparecer nas brancas nuvens da cidade, onde nunca se viu um avião, apenas borboletas, tanajuras, pássaros, pombos e urubus. Vez ou outra tio Didi nos presenteava com uma coruja, leve, colorida, mas que voava mais baixo do que as bolas da festa da Padroeira.
Para encher balões de festa de modo a flutuar, aqueles estranhos usavam cilindros de gás, semelhantes aos atuais garrafões de cozinha de restaurante. E negociavam com a meninada a troca de 1 bola por 12 tubos vazios de pasta Kolynos ou Gessy, de alumínio flexível, para misturá-los com água e soda cáustica, na produção de hidrogênio. Então, as bolas cheias de gás assim estouravam ou desapareciam nos céus… Outra curiosidade, trazida pelo ônibus da Capital, era umas dez grandes pedras de gelo, guardadas em pó de serra para gelar cerveja, guaraná ou as bebidas da noite. As mesas do Pavilhão, sempre dividido em dois lados, geralmente azul e encarnado, que se disputavam na venda bilhetes, apresentavam cada lado sua bela candidata à rainha da festa. Agitava-se o pacato interior a ganhar outra vida.
Já não modificavam muito nossa infância as comemorações do 7 de Setembro. Havia, com influência do getulismo nas escolas, os ensaios para o desfile, puxado por um bombo, um velho tarol e uma corneta, desfile que se estendia da frente da Igreja até a Cadeia, majestoso sobrado, onde aconteceu a cerimônia de Beija-mão de Dom Pedro II, durante sua histórica visita a Pilar. Devíamos saber cantar os hinos Nacional, da Independência e o da Bandeira, cujo sentimento lembrou que eu, durante o Governo de Itamar Franco, à frente da FAE/MEC, imprimisse, na nossa fábrica em Maria da Graça, na zona norte do Rio de Janeiro, mais de 90 milhões de cadernos escolares para o Ensino Fundamental, com a letra desses hinos e outros símbolos nacionais.
Numa dessas impressões, tais cadernos levaram pinturas e biografia de Pedro Américo, paraibano de Areia, com texto de Padre Ruy Vieira, aos alunos do Ensino Fundamental, que constituíam uma população, segundo dados do Programa da Merenda Escolar, com cerca de 30 milhões de estudantes; na época, quase a população da Argentina… Ao homenagear Pedro Américo (1888), constava sua magnânima obra Independência ou Morte, conhecida como O Grito do Ipiranga, pintura mais famosa sobre a história do Brasil.
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