
Todo mundo reclama do político corrupto. E tem que reclamar mesmo. Mas quase ninguém tem coragem de dizer o outro lado: existe o eleitor corrupto também.
O político corrupto não nasce do nada. Ele nasce de um acordo silencioso na esquina, na feira, no zap.É o eleitor que vende o voto por 50 reais, por um botijão, por um saco de cimento, por um exame furando a fila. É o eleitor que passa 4 anos chamando o prefeito de ladrão, mas na véspera da eleição vai bater na porta dele pedir dinheiro pra pagar conta.
É o eleitor que quer o político honesto, mas quer que esse político seja desonesto só a favor dele — que libere um terreno, que apague uma multa, que empregue o filho sem concurso.
Como é que a gente quer uma Ingá limpa se a gente suja a própria consciência na hora de votar? O político que compra voto só compra porque tem quem venda. Se ninguém vendesse, a compra acabava amanhã.
Corrupção não é só quando desvia merenda. Corrupção também é quando a gente troca o futuro dos nossos filhos por uma vantagem pequena hoje.
Político corrupto tem que ser denunciado, cobrado e tirado do poder. Mas eleitor corrupto tem que se olhar no espelho.Porque no dia que o eleitor parar de se vender, o político vai ser obrigado a trabalhar de verdade. O voto não tem preço, tem consequência.
Por Vavá da Luz – de Ingá para o mundo