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Blog do Vavá da Luz

       Inteligência humana e artificial nas coisas (Damião Ramos Cavalcanti)

 

                  
           Numa conversa corriqueira de mesa de bar, num lugar histórico da cidade, escapou que os cinco mais ricos do mundo são excepcionalmente inteligentes. Depois de estudar filosofias do que seja inteligência, reagi ao tão simplista reducionismo. Esses riquíssimos mostram esperteza, remuneram os muito inteligentes, e montam empresas que, de repente, enriquecem. Hão certa inteligência, contudo intelligenti ma non troppo. Reservo o “troppo” a nomes como Aristóteles, Tomás de Aquino, Leonardo da Vinci, Kant, Hegel, Newton, Einstein, padre Roberto Landell de Moura e a genialidades, inclusive da nossa atualidade… Na realidade, inteligência é coisa mais complexa… Conheci pessoas geniais, alguns já morreram, e não eram ricos; viveram por conta dos seus trabalhos, exercendo modestamente suas genialidades. Quais gênios da humanidade se consideraram riquíssimos?
         Tais gênios não usavam suas inteligências apenas no trabalho, mas, na vida como um todo, dentro de uma cosmovisão. Sobretudo no aforro de só gastar o sustento com o necessário, só consumir o suficiente ao bem viver. Essa sabedoria provinha da sua inteligência, jamais da mesquinhez, tampouco como aqueles que aumentam o que possuem, por avareza. Ao contrário, doavam-se a trabalhos gratuitos, à bondade da solidariedade e do compartilhamento.
          Aliás, são poucos os que, contando moedas, sem parar, cobiçam o lucro, até amealhar muito mais do que suas trilionárias fortunas, além de US$ 1 trilhão. Milhares desejam, mas apenas pouquíssimos atingem esse topo da pirâmide, enquanto aprofunda-se o “abismo da desigualdade global” ou bilhões empobrecem. Os fatores são os mais diversos, e ainda mais com problemas econômicos derivados, como os das guerras no Irã e o do interminável conflito bélico entre a Rússia e a Ucrânia. Guerra não é inteligência, mas consequência da ganância…
          Muita coisa não é inteligência, mas ela é usada como analogante para objetos semelhantes tecnologicamente mais perfeitos e com avançada função. Ouvi candidato prometer colocar, nos seus redutos eleitorais, semáforo inteligente, ou seja, “sinal de trânsito inteligente”. A inteligência consistiria em contar os veículos no trânsito e mudar de verde para vermelho ou vice-versa, para melhor fluxo dos veículos. Ou corretora, vendendo salas de um “edifício inteligente”. Todas essas “inteligências” criadas pela inteligência humana, sintetizam-se na chamada Inteligência Artificial, siglada em AI ou IA. Nesse contexto, admiro veículos inteligentes, por isso desfruto da excelência do carro elétrico que, inteligentes e confortáveis, e não poluindo, são muito mais econômicos do que carro a combustão. 
          Exalto esses avanços tecnológicos e procuro usá-los. Quem sabe ter ainda um televisor que transmita o cheiro das suas imagens, da fragrância da natureza, do perfume das flores e o aroma da mata virgem? Melhor invenção do que a fabricação de coisas que nos prejudiquem, como cigarro inteligente sem tabaco, mas que mata tanto como aquele com nicotina. Desligarei imagem do que feder… O humano costuma transformar as finalidades das coisas: a faca das nossas refeições em faca de dar facada; bancos ou casas creditícias em corruptos Master da vida…
          O dom divino da inteligência pode se estender a instrumentos tecnológicos em função do Bem, mas que não contrarie a inteligência humana… Que haja bisturis cirúrgicos inteligentes; microscópio inteligente a descobrir a cura do câncer e outros mais. Nessa marcha, se há edifício inteligente, surgirão ruas e cidades inteligentes. Quiçá, nessas eleições, descubra-se mais discernimento, num país inteligente…  

 

DESTAQUE: Muita coisa não é inteligência (…). Guerra não é inteligência, mas consequência da ganância…

Damião Ramos Cavalcanti

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