O nascente e o poente de um dia…
Numa vertente do dia,
no nascente do sol,
surge o que molda a vida
em todo o arrebol.
Traz o vento do norte,
como um cântico em Si bemol.
Nasceu o novo dia,
proclamação de tempo bom.
Bendita seja a melodia,
entoação de um canto novo,
evocação dos quatro cantos,
elevação de um só povo.
Traçados são os compassos
dos passos do tempo em movimento.
Caminham as horas sem cessar;
o sol eleva seu firmamento.
E, à meia hora do dia,
o meio-dia é seu momento.
Contemplar é um suspiro
que inspira o dom de ofertar.
É nessa hora de clareza
que a firmeza vem proclamar.
Seguem os passos levados pelos ventos,
no tear da vida a se entrelaçar.
Segue agora o alento
do poente em seu percurso.
O sol adormece,
descansa e se consagra.
O anoitecer toma seu lugar;
já é crepúsculo que embala.
E eu, contemplante,
sereno em minha grandeza,
alimentado pelo ser
na natureza do dia vivido,
acolho-me em meu silêncio,
sabedor do tempo percorrido.
Dorme o ser humano ativo,
no trecho por Deus permitido.
Coube-lhe aproveitar o bem,
guardar o que foi vivido,
para no novo nascente acordar
em contos de luz e de paz.
Somos todos travessia,
do nascente ao poente.
Com Deus, a caminhada
ganha o sabor da companhia.
Conduz este filho em paz
pelos rastros da luz que guia.
Estou vivo e quero viver,
com gratidão e esperança.
Seguir os passos já trilhados,
iluminados pela fé,
até que um novo amanhecer
renove em mim a eterna confiança.
De um dia de domingo
02/08/2026
Carlos Marques Dunga Júnior