A Imprensa e Rádio Arapuan da Arquidiocese
O jornal A Imprensa, fundado em 1897, pelo primeiro arcebispo Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, foi um importante meio de comunicação da Igreja Católica, na Arquidiocese da Paraíba. Destaca-se a polêmica do seu diretor, intelectual Monsenhor Odilon Alves Pedrosa, que foi afastado e nomeado pároco de Sapé, em virtude dos seus artigos que atingiam a política na Paraíba, e textos de José Américo. Monsenhor Odilon teve papel de destaque na história local também na região de Sapé, inclusive apaziguando os conflitos de terra, que coexistiam com a atuação das Ligas Camponesas, lideradas por João Pedro Teixeira.
Na década de 1960, enquanto Manuel Batista de Medeiros esteve à frente desse jornal, ele atuou como competente também gerente e diretor comercial do periódico, e sua publicação e distribuição cresceram. Porém, o A Imprensa passou por sua última fase de circulação, até 1968, crise iniciada quando a substituição ao arcebispo Dom Mário de Miranda Villaboas pelo arcebispo Dom José Maria Pires, considerado progressista como Dom Hélder Câmara, e porque o novo arcebispo mudou a linha do jornal, passou a refletir o tom progressista de sua gestão, focando a justiça social e os direitos humanos. E assim sofreu as tensões da ditadura militar e do AI – 5, do então regime vigente. Tais fatos devem constar na história do jornalismo na Paraíba. Foi no prédio do A Imprensa, cuja sede se situa por trás do Jardim de Academus da Academia Paraibana de Letras, onde conheci suas linotipos e seus operosos linotipistas e muito mais Manuel Batista, que dirigia esse jornal, até também, dado ao seu empenho, fazendo a distribuição do periódico com o seu próprio Rural Wills.
O acadêmico advogado, jornalista, articulista e cronista Manuel Batista, além de editor, diretor administrativo do jornal A Imprensa; também dirigiu a Rádio Arapuan, então entregue à Arquidiocese, em razão do Projeto de Educação de Base no Brasil que, em 1963, com apoio do Governo Federal ao Movimento de Educação de Base (MEB), criado em 1961 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) , adquiriu a Rádio Arapuan. O principal objetivo do Decreto nº 52.267 de julho de 1963 era intensificar a alfabetização de adultos e jovens nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, para culminar com a universalização da alfabetização, através de escolas radiofônicas, e uma delas era a Rádio Arapuan, por isso entregue à Arquidiocese, sob a responsabilidade do então Padre Manuel Batista.
O jornal A Imprensa e a rádio Arapuan não resistiram à censura do regime de então, instalado em 1964 e recrudescido pelo AI-5, Ato Institucional, em 1968, do então presidente Costa e Silva. O jornal deixou de funcionar, na enorme sede, que ainda hoje resta imponente por trás da Academia Paraibana de Letras e em frente ao Palácio Episcopal. E a Rádio Arapuan, que também transmitia os sermões críticos à falta de liberdade na imprensa, do Padre Juarez Benício, na Igreja da Misericórdia, e também afastado do quadro de professores da UFPB, foi vendida a empresários paraibanos…
Foi assim que deixaram de funcionar os meios de comunicação da Arquidiocese da Paraíba, que poderiam subsistir até os dias de hoje, como o Jornal L’Osservatore Romano e a Radio Vaticano, que também retransmitem suas matérias, inclusive tudo sobre as encíclicas papais, visitas do Papa em torno do mundo e outras notícias do mundo religioso católico, através dos meios de comunicação da Arquidiocese de Aparecida, jornal e rádio, e de tantas outras, jornais e emissoras diocesanas. Mas, a Arquidiocese da Paraíba também manteve, enquanto tal rádio da sua propriedade, o competente apoio técnico do jornalista Otinaldo Lourenço de Arruda Mello, que deu continuidade à Rádio Arapuan, que ainda hoje continua contribuindo com o radialismo e a televisão, na Paraíba.