Eita, bênção de Deus para o nordestino realizar a sua pausa e colher o que plantou nos anos de inverno bom, é na gratidão que se consagra o perdão, é na fartura que se comunga a partilha, é no louvor ao tempo bom que se pratica o amor.
É um mês diferente. Quem é nordestino sabe do que estou dizendo. Aproximam-se as férias do meio do ano, e temos encontro marcado do dia de São João ao dia de São Pedro. Ainda festejamos Santo Antônio, que se ajunta ao Dia dos Namorados, e é festa o mês inteiro.
A pamonha e a canjica do mês de junho têm sabor diferente. São mais gostosas nessas noites frias, que se completam em mesas fartas e risos largos das famílias por aqui. É tempo de paqueras e namoros, de reencontros, de volta para casa de quem está longe e foi para outros lugares em busca de sobrevivência numa real de uma vida nordestina.
É tempo de ouvir: “Olha pro céu, meu amor”. O badalar do relógio na virada do dia 23 para o dia 24 de junho traz uma emoção de recomeço, realinhamento de processos, saudades sentidas memorias afetivas, olhares se misturam em sonhos de paz e muito amor envolvido numa oração nordestina que só nordestino sente.
Eita, vou ali na rua sentir os sabores, ver as cores, ouvir os cantores, rever os atores de uma vida nordestina que galopam neste mês de junho. Vou viver minha sina, sentir meu drama, curtir a temperatura do agora, comungar a hóstia na crença vivida, navegar meu sonho e celebrar a vida, de um ser nordestino.
De um dia de domingo
07/06/2026
Carlos Marques Dunga Jr.