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Blog do Vavá da Luz

A incrível história das legitimas (Marcos Pires)


   No começo dos anos 60 o pessoal da Alpargatas reparou num par de sandálias japonesas, fabricadas com palha de arroz e se fez a luz. Por que não fabricar aquele tipo de sandálias usando borracha? Seguiram adiante e aqui já está a primeira informação que muito provavelmente vocês não sabiam; aqueles gominhos estampados nos solados são reproduções de… palha de arroz. Não é sem proposito que muita gente chamava as sandálias havaianas de sandálias japonesas.

   Foi um sucesso. Até que apareceram as imitações e a Alpargatas lançou uma violenta campanha dizendo que seu produto não soltava as tiras, não deformava nem “dava chulé”. Afinal, eram as legítimas. Porém as vendas estavam sendo ameaçadas pela chegada ao mercado de produtos mais sofisticados, como as sandálias Rider. O resultado é que as sandálias havaianas passaram a ser consideradas coisa de pobre.

   Então aconteceu a grande virada.

   Alguém da fábrica resolveu esfriar a cabeça e foi tomar banho de mar na praia de Ipanema. Notou que os surfistas usavam as sandálias havaianas de uma maneira peculiar; viravam o solado de modo que a parte branca não aparecia e as sandálias adquiriam uma única cor. Maior sucesso entre as gatas. Eureka!  A Alpargatas então lançou em 1994 as havaianas Top, usando a mesma matéria prima e com o mesmo custo de fabricação. Só que, dizem as más línguas, passou a vender o produto pelo dobro do preço das havaianas tradicionais, fazendo com que as classes mais altas não precisassem comprar as sandálias “de pobre”.

   Porém a Alpargatas foi mais além. Produziu umas series especiais de sandálias, inclusive fazendo parcerias com joalherias e remeteu como presente para atrizes mundialmente famosas. Vi uma foto de Jenifer Aniston pisando o tapete vermelho da fama a bordo das legitimas. Angelina Jolie entrou na onda e muitos outros famosos também.

   Hoje as havaianas são vendidas em todos os países civilizados e representam uma bela marca brasileira. Em alguns países chegam a custar até dez vezes mais do que no Brasil. Há quem diga que são fabricados até oito pares de havaianas por segundo.

   Minha conclusão é a de que se não fosse o banho de mar que o executivo da Alpargatas foi tomar, as coisas não teriam saído tão bem.  Portanto, banho de mar é bom até para os negócios.

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